Trabalhadores dos setores de manutenção e montagem industrial offshore e onshore iniciaram uma greve por tempo indeterminado na sexta-feira (18 de setembro), em Macaé, no Norte Fluminense.
O movimento foi deflagrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário (SINTPICC-RJ), após a rejeição da proposta apresentada pelas empresas durante as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027.
A mobilização começou com uma concentração em frente ao Aeroporto de Macaé, um dos principais pontos de embarque de profissionais que atuam nas plataformas da Bacia de Campos.
Além dos trabalhadores em terra, o movimento relata adesões de equipes embarcadas em diversas unidades offshore. Segundo o edital de deflagração divulgado pelo SINTPICC-RJ, a decisão pela paralisação foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária, depois que os trabalhadores consideraram insuficiente a proposta patronal.
A greve não tem prazo definido para terminar, mas o sindicato afirma que permanece aberto à retomada das negociações.
Ver esse post no Instagram
Mobilização começou no Aeroporto de Macaé
A concentração dos trabalhadores teve início às 7h30, em frente ao Aeroporto de Macaé, na Rua Hildebrando Alves Barbosa, no Parque Aeroporto. O terminal concentra parte importante do transporte aéreo de profissionais que embarcam para as plataformas de petróleo da Bacia de Campos.
A greve envolve trabalhadores de empresas prestadoras de serviços da indústria de óleo e gás, com atuação em Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, além de profissionais embarcados em unidades marítimas.
Reajuste salarial de 15% e mudança na escala estão entre as reivindicações
O impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 motivou a paralisação. Segundo o sindicato, a proposta de reajuste apresentada pelas empresas foi rejeitada pela categoria.
Entre as principais reivindicações estão o aumento salarial de 15%, a elevação do vale-alimentação para R$ 1 mil e a alteração da escala dos trabalhadores embarcados.
Atualmente, os profissionais terceirizados abrangidos pela reivindicação cumprem uma jornada de 14 dias embarcados, seguidos por 14 dias de folga. A categoria solicita a adoção da escala de 14 dias de trabalho por 21 dias de descanso, já praticada por empregados próprios da Petrobras. Os trabalhadores também reivindicam melhorias nas condições de segurança, dimensionamento adequado das equipes nas plataformas e redução das diferenças de benefícios entre empregados próprios e terceirizados.
Sindicato relata adesão em mais de 20 plataformas
A mobilização ultrapassou as bases terrestres e passou a envolver trabalhadores embarcados na Bacia de Campos.
Segundo informações recebidas pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), mais de 20 plataformas estariam sendo atingidas pela paralisação. A entidade ressaltou que o levantamento é preliminar e que acompanha a evolução do movimento.
Entre as unidades mencionadas nas informações divulgadas sobre a greve estão P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-74, P-75, P-77, PNA-1, PCH-1, PCH-2, UMPC, UMAR, P-51 e P-43.
A presença dessas unidades na relação divulgada pelo movimento não significa, necessariamente, que toda a plataforma tenha interrompido suas operações. A greve pode atingir equipes de manutenção, montagem industrial e outros serviços específicos, sem provocar a suspensão integral da produção.
O número de trabalhadores envolvidos e a situação operacional de cada unidade ainda dependem de confirmação individual pelas respectivas operadoras.
Petrobras afirma que produção segue normalmente
A Petrobras informou que acompanha as negociações entre as empresas contratadas e os profissionais que aderiram à greve.
Em nota divulgada na sexta-feira (18), a estatal afirmou que se reuniu com representantes das prestadoras de serviços e está adotando medidas para assegurar a continuidade das atividades a bordo, de maneira segura.
A companhia declarou que as plataformas em produção continuam operando normalmente, sem impacto na produção de petróleo.
A posição da Petrobras foi divulgada pela agência Reuters e por veículos regionais que acompanham a paralisação na Bacia de Campos.
Sindipetro-NF manifesta apoio aos trabalhadores
O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense divulgou uma nota de solidariedade aos profissionais em greve.
A entidade destacou a importância dos trabalhadores de manutenção e montagem industrial para o funcionamento do setor de petróleo e defendeu avanços nas negociações coletivas.
O Sindipetro-NF informou que continuará acompanhando a paralisação e apoiando as reivindicações relacionadas a salários, benefícios e condições de trabalho.
Greve continua por tempo indeterminado
O edital de deflagração, datado de 15 de setembro de 2026 e assinado pelo diretor-presidente do SINTPICC-RJ, João Rodrigues Vieira, estabelece que a greve não tem prazo definido para terminar.
No documento, o sindicato afirma que a paralisação tem caráter reivindicatório e resulta da falta de entendimento nas negociações coletivas. A entidade também declara disposição para retomar imediatamente as conversas com os representantes patronais.
O sindicato informou que o movimento deverá observar os prazos legais de comunicação e as regras aplicáveis às atividades e aos serviços considerados essenciais.
A continuidade da greve dependerá do andamento das negociações. Enquanto não houver acordo, os trabalhadores mantêm a mobilização em Macaé e nas unidades offshore que registram adesões ao movimento.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











