A falta de um sistema eficaz para monitorar o crédito rural subsidiado coloca em risco a meta brasileira de eliminar o desmatamento até 2030, segundo estudo do CPI/PUC-Rio. A avaliação, destacada pelo Jornal de Brasília no domingo (9), mostra que bancos públicos e privados continuam liberando recursos para propriedades onde houve destruição de vegetação nativa.
Levantamento do CPI/PUC-Rio indica que instituições como Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Caixa, Rabobank e Itaú registram altos percentuais de financiamentos em áreas com desmatamento recente. O estudo aponta que, na prática, o crédito rural ainda “premia quem desmata”.
Dados do Banco Central (BC), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e imagens de satélite do INPE mostram que, entre 2020 e 2024, 36% do crédito rural — equivalente a R$ 205,6 bilhões — foi destinado a propriedades que apresentaram desmatamento após 2009.
Para tentar reverter esse cenário, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou no fim de 2024 uma norma que obriga bancos a verificar, antes da concessão de crédito, se a área financiada apresenta desmatamento detectado pelo sistema de monitoramento do INPE. A regra passa a valer em janeiro de 2026 e também impede empréstimos a imóveis embargados em unidades de conservação ou terras indígenas.
O BNDES já iniciou a adoção de filtros mais rigorosos. O banco desenvolveu um sistema que cruza informações do CAR com dados do MapBiomas e, até setembro de 2025, bloqueou R$ 1 bilhão em financiamentos para propriedades com indícios de desmatamento. As demais instituições financeiras citaram possuir mecanismos próprios de monitoramento.
CONCLUSÕES DO ESTUDO
O CPI/PUC-Rio avalia que, apesar de avanços como a resolução do BC e os sistemas automatizados do BNDES, as medidas não terão efeito real sem monitoramento contínuo, transparência na análise de dados e fiscalização efetiva.
Para os pesquisadores, eliminar o desmatamento até 2030 depende de atrelar o crédito rural à regularidade ambiental e à adoção de práticas sustentáveis. Sem isso, o país continuará financiando, direta ou indiretamente, a perda de vegetação nativa.
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