As operações de crédito consignado envolvendo militares das Forças Armadas e o Banco Master movimentaram R$ 137,3 milhões entre 2020 e 2026, segundo dados divulgados pelo portal g1 com base em informações oficiais de transparência.
O montante faz parte de um volume mais amplo, que alcança cerca de R$ 1 bilhão em repasses de órgãos federais ao banco no período analisado.
De acordo com os registros, os valores não correspondem a transferências diretas de recursos públicos das instituições militares, mas sim a descontos automáticos em folha de pagamento de militares que contrataram empréstimos consignados.
Nesse modelo, as Forças Armadas atuam apenas como intermediárias no repasse dos valores às instituições financeiras credoras.
O levantamento indica que as Forças Armadas foram o segundo maior canal de operações do Banco Master dentro do setor público federal, ficando atrás apenas do sistema previdenciário.
O crescimento dessas transações foi expressivo ao longo dos anos, passando de R$ 3 milhões em 2020 para R$ 43,4 milhões em 2021, até atingir volumes mais elevados nos anos seguintes.
Em 2025, o total de operações do banco com o setor público chegou a R$ 404,8 milhões, refletindo a expansão do crédito consignado. No recorte específico das Forças Armadas, os dados mostram maior concentração no Exército Brasileiro, seguido pela Força Aérea Brasileira e pela Marinha do Brasil.
Em nota, o Exército afirmou que não há transferência de recursos próprios da instituição para o banco. Segundo a força, os valores decorrem de dívidas privadas assumidas pelos militares e são apenas repassados após desconto em folha, com função exclusivamente operacional.
A instituição informou ainda que, após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em novembro do ano passado, o contrato de credenciamento foi encerrado, o que levou à suspensão de novas operações.
A Força Aérea Brasileira confirmou que realizou repasses ao banco apenas em 2024 e 2025, dentro das regras do consignado, e afirmou que não houve novas movimentações após a liquidação da instituição financeira.
Segundo a FAB, o credenciamento seguiu critérios previstos em edital e não gerou custos diretos à administração.
O caso reacende o debate sobre a expansão do crédito consignado no serviço público e o papel de instituições financeiras privadas na intermediação de empréstimos atrelados à folha de pagamento de servidores e militares.
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