O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou, nesta sexta-feira (25), um placar de três votos pela permanência de Paulo Gonet à frente dos procedimentos relacionados ao caso Master. A análise começou pela manhã e ainda não foi concluída.
O relator, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, votou pelo arquivamento da representação apresentada pelo Partido Novo. Na sequência, os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari também se posicionaram pela permanência de Gonet nas investigações.
Apesar de acompanhar o entendimento pela permanência do procurador-geral, Janice apresentou uma divergência em relação ao arquivamento integral da representação e defendeu que alguns pontos ainda sejam esclarecidos.
A sessão começou por volta das 10h e foi interrompida durante o intervalo para o almoço. A votação deverá continuar após a pausa.
O pedido analisado pelo colegiado questiona a atuação de Gonet no caso Master depois que a Polícia Federal encontrou referências ao nome do procurador-geral em mensagens e anotações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O Partido Novo levantou a possibilidade de que Gonet tivesse cometido prevaricação na condução das apurações. Até o momento, porém, os votos apresentados não identificaram elementos suficientes para justificar o afastamento do procurador-geral.
Relator não vê elementos para investigação
Ao apresentar seu voto, Sanseverino afirmou que as mensagens encontradas no celular de Vorcaro precisam ser analisadas dentro do contexto em que foram produzidas.
Na avaliação do relator, o material apresentado na representação não demonstra, até o momento, a prática de crime por parte de Gonet. Sanseverino também considerou que a atuação da Procuradoria-Geral da República no caso respeitou os princípios de legalidade, eficiência e independência funcional.
Um dos pontos analisados foi a manifestação da PGR contrária à prisão preventiva de Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2025.
Gonet havia argumentado que a Procuradoria teve apenas 72 horas para analisar milhares de páginas relacionadas às medidas contra dez investigados. Segundo a justificativa, não havia sido demonstrada urgência suficiente para sustentar as prisões naquele momento.
O relator levou essas explicações em consideração e também destacou que, em outros momentos, a própria PGR se manifestou pela manutenção da prisão preventiva de Vorcaro.
Referências ao nome de Gonet
As menções ao procurador-geral apareceram durante a análise, pela Polícia Federal, do conteúdo apreendido no telefone de Vorcaro.
Uma das anotações dizia: “tem que reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”. Os investigadores interpretaram os nomes como referências a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em outra conversa, Vorcaro teria perguntado: “Não podemos reverter isso com Paulo ou Andrei?”. Segundo a investigação, as mensagens estavam relacionadas às apurações envolvendo o Banco Master.
Sanseverino, no entanto, observou que não foi possível confirmar que uma das anotações tenha sido efetivamente enviada ao destinatário. A PF chegou a considerar a possibilidade de o conteúdo corresponder a uma mensagem de visualização única encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, mas não encontrou uma resposta que comprovasse o envio.
O relator também apontou que não foi identificada comunicação direta entre Gonet e Vorcaro no material analisado.
Foto em evento em Londres
Outro ponto considerado pelo Conselho foi uma fotografia feita em Londres, em 2024, na qual Gonet aparece sentado à mesma mesa que Vorcaro e outras pessoas.
Na ocasião, o procurador-geral participava de um fórum jurídico que tinha o antigo Banco Master, entre outras empresas, como patrocinador.
Para Sanseverino, a imagem, isoladamente, não demonstra a existência de uma relação de amizade íntima entre os dois. O relator classificou o episódio como um encontro social ocorrido na presença de outras pessoas.
Conversas com advogado
O nome de Gonet também aparece em mensagens trocadas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, que possui relação de amizade com o procurador-geral.
Em uma das conversas, Soares afirma ter encaminhado, a pedido do “PG”, uma mensagem de congratulação relacionada a negócios envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB).
Gonet confirmou ter enviado a mensagem, mas afirmou que se tratava de uma manifestação de cordialidade feita antes de surgirem as suspeitas envolvendo as atividades de Vorcaro.
Outra conversa mencionada na análise trata de uma possível viagem do filho de Gonet para Londres. Segundo as mensagens, haveria uma possibilidade de financiamento por parte de Vorcaro.
Gonet negou ter feito qualquer pedido nesse sentido e afirmou que a viagem não foi financiada nem chegou a ocorrer. O evento acabou sendo cancelado posteriormente, após a repercussão do caso Master.
Entenda o caso Master
Daniel Vorcaro é um dos principais investigados na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo fraudes financeiras e possível corrupção de agentes públicos relacionadas ao antigo Banco Master.
As referências ao nome de Gonet ganharam maior repercussão depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia mensagens atribuídas a Vorcaro.
Após a divulgação do material, Gonet pediu ao STF a anulação do relatório. A PGR argumentou que Mendonça não poderia autorizar o avanço de uma investigação envolvendo outro ministro da Corte sem que o caso fosse submetido ao plenário do Supremo.
É nesse contexto que o CSMPF analisa a representação apresentada pelo Partido Novo.
Até o momento, são três votos pela permanência de Gonet nos procedimentos relacionados ao caso Master. A análise ainda não terminou e o resultado definitivo dependerá da conclusão da votação.
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