A possível decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode trazer consequências para a soberania do Brasil. O alerta foi feito pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Ministério Público do Estado de São Paulo.
Em entrevista concedida nesta quinta-feira (12) ao jornalista José Luiz Datena, no programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, o promotor afirmou que essa classificação poderia abrir espaço para ações diretas de órgãos norte-americanos em território brasileiro.
Segundo Gakiya, a medida poderia permitir, em determinados cenários, a realização de operações conduzidas por agências como a Central Intelligence Agency (CIA) ou até por forças especiais dos EUA, inclusive em regiões de fronteira ou dentro do país.
Avaliação do promotor
Lincoln Gakiya investiga a atuação do Primeiro Comando da Capital há mais de duas décadas e vive sob escolta policial há mais de dez anos após sofrer ameaças de morte. Para ele, as facções brasileiras devem continuar sendo tratadas como organizações criminosas de perfil mafioso, e não como grupos terroristas.
De acordo com o promotor, a definição internacional de terrorismo geralmente envolve motivação ideológica ou política, característica que, na avaliação dele, não se aplica ao Primeiro Comando da Capital nem ao Comando Vermelho.
Gakiya também afirmou que a mudança de classificação poderia gerar mais problemas do que soluções, já que os Estados Unidos poderiam passar a tratar o combate às facções brasileiras como um tema de segurança nacional.
Possíveis impactos econômicos e na cooperação policial
Outro ponto levantado pelo promotor é que a legislação norte-americana prevê sanções econômicas internacionais quando grupos considerados terroristas representam ameaça aos interesses do país. Isso poderia levar empresas multinacionais a reavaliar investimentos no Brasil.
Além disso, Gakiya avalia que a cooperação policial entre os dois países poderia ser afetada. Atualmente, há troca de informações com órgãos como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Drug Enforcement Administration (DEA).
Caso as facções sejam classificadas como terroristas, esses dados poderiam passar a ser centralizados em estruturas de inteligência militar, como a Central Intelligence Agency, o que, segundo ele, poderia dificultar investigações conjuntas.
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