O Censo 2022: Religiões, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (6), confirma uma tendência já observada em levantamentos anteriores: o Brasil está se tornando cada vez mais plural em termos religiosos. A proporção de católicos continua em queda, enquanto os evangélicos seguem em ascensão — embora com ritmo de crescimento mais lento que nas décadas anteriores.
Segundo os dados, os católicos representavam 65,7% da população brasileira em 2010. Doze anos depois, esse número caiu para 56,7%, fazendo com que a religião deixe de representar dois terços da população, pela primeira vez desde os primeiros censos.
Por outro lado, os evangélicos aumentaram sua participação de 21,7% para 26,9% no mesmo período. Apesar do crescimento de 5,2 pontos percentuais, a taxa é inferior aos 6,6 pontos registrados entre os Censos de 2000 e 2010, o que indica uma desaceleração no avanço.
Em entrevista à Rádio Eldorado, o teólogo e pesquisador Ronilso Pacheco, diretor do Instituto de Estudos da Religião (ISER), avaliou que a redução do número de católicos pode estar ligada a uma maior liberdade das pessoas para expressar diferentes formas de espiritualidade. “As pessoas estão mais à vontade para reconhecer sua espiritualidade fora dos marcos institucionais tradicionais”, explicou.
No caso dos evangélicos, o crescimento menor pode estar relacionado a fatores políticos e sociais. “Uma presença política muito midiática e a radicalização podem ter afastado fiéis”, afirmou Pacheco, sugerindo que a forte visibilidade de setores evangélicos na política pode estar provocando reações negativas entre parte da população.
Os dados do Censo 2022 refletem uma mudança profunda no cenário religioso brasileiro e indicam que o país caminha para uma sociedade ainda mais diversa em termos de fé, com desafios e oportunidades para todas as tradições religiosas.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











