O Brasil registrou, no segundo trimestre de 2025, o menor número de pessoas desempregadas há mais de um ano desde o início da série histórica, em 2012. O dado consta na PNAD Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (15) pelo IBGE, apontando um contingente de 1,913 milhão de trabalhadores nessa condição — redução de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o total era de 2,4 milhões.
A pesquisa do IBGE avalia o comportamento do mercado de trabalho entre pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação (com carteira assinada, temporário, por conta própria, entre outros). Apenas quem efetivamente procura emprego é classificado como desocupado. O levantamento visita 211 mil domicílios em todo o país.
Os dados revelam queda em todas as faixas de tempo de procura por emprego em comparação com o segundo trimestre de 2024
- menos de um mês: -16,7%
- de um mês a menos de um ano: -10,7%
- de um a menos de dois anos: -16,6%
- dois anos ou mais: -23,6%
No grupo que busca trabalho entre um mês e menos de um ano, o total de 3,2 milhões de pessoas é também o menor já registrado desde 2012. Entre os que procuram há um a dois anos, o contingente de 659 mil também é recorde de baixa.
Segundo o analista da PNAD, William Kratochwill, há uma tendência clara de redução entre os que passam longos períodos procurando emprego. “O mercado está gerando oportunidades e absorvendo inclusive pessoas que tinham mais dificuldade de entrar”, afirmou.
Mercado aquecido e recordes no trimestre
Em 31 de julho, o IBGE já havia informado que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,8%, também a menor da série histórica. Houve recorde de trabalhadores com carteira assinada (39 milhões) e aumento no rendimento médio (R$ 3.477).
A PNAD trimestral detalha que a taxa de desemprego caiu em 18 das 27 unidades da federação no segundo trimestre. Os menores índices foram registrados em Santa Catarina (2,2%) e Mato Grosso do Sul (2,9%), e o maior em Pernambuco (10,4%). Doze estados atingiram o menor nível para o período desde 2012, incluindo São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Kratochwill destaca que o ano de 2025 foge do padrão, já que o desemprego costuma subir no primeiro trimestre. “O mercado absorveu grande parte da mão de obra temporária”, afirmou.
O pesquisador também mencionou outros efeitos da melhora, como a queda da informalidade (hoje em 37,8% da população ocupada), aumento de vagas com carteira assinada e crescimento dos salários. No entanto, o desemprego ainda atinge com mais força mulheres, pretos e pardos.
No segundo trimestre, a taxa foi de 6,9% entre mulheres, contra 4,8% entre homens. Entre os pretos, foi de 7%; entre os brancos, 4,8%. A taxa entre pessoas com ensino médio incompleto foi de 9,4%, enquanto os que possuíam ensino superior completo registraram apenas 3,2%.
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