Na noite deste sábado (22), centenas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se concentraram na entrada do condomínio onde ele morava em Brasília para uma vigília em sua defesa. O ato, organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durou cerca de uma hora e meia e contou com cânticos evangélicos, orações pela saúde do ex-mandatário e a presença simbólica de um boneco de papelão representando Bolsonaro.
A prisão preventiva do ex-presidente, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mencionou a convocação da vigília como um indicativo de risco de descumprimento de medidas judiciais. Apesar disso, Flávio Bolsonaro orientou os participantes a não se dirigirem à sede da Polícia Federal, mantendo o caráter religioso do encontro.
Na madrugada de sábado, o ex-presidente também chamou atenção ao tentar remover a tornozeleira eletrônica, segundo o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal. Bolsonaro admitiu que tentou retirar o dispositivo usando um ferro de solda, alegando curiosidade, mas a pulseira permaneceu intacta.
Durante a vigília, os organizadores evitaram discursos políticos ou ataques diretos ao STF. As orações foram conduzidas por um pastor evangélico, enquanto os participantes erguiam bandeiras do Brasil e repetiam frases de apoio a Bolsonaro, como “nós não vamos desistir dele” e “vai dar tudo certo”. O evento foi transmitido ao vivo nas redes sociais de Flávio Bolsonaro.
Entre os parlamentares presentes estavam Carlos Bolsonaro (PL-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Marcel van Hattem (Novo-RS), Rogério Marinho (PL-RN) e Izalci Lucas (PL-DF).
Próximo ao final da vigília, houve um momento de tensão quando um homem identificado como Ismael Lopes foi autorizado por Flávio Bolsonaro a discursar. Lopes afirmou:
“Temos orado para que aqueles que abrem covas caiam nelas. Não mortos, porque não é isso que desejamos. Queremos que sejam julgados e condenados pelo mal que fizeram. Como o seu pai, que abriu 700 mil covas durante a pandemia. Que seja julgado com o devido processo legal, tenha seu direito de defesa, mas seja condenado e responda pelo crime que cometeu, assim como todos os aliados que participaram dessa horda de mal.”
Flávio Bolsonaro sinalizou para que os apoiadores não confrontassem o homem, mas ele acabou sendo retirado da aglomeração e teve o microfone tomado, recebendo empurrões e chutes enquanto era afastado.
Bolsonaro foi condenado em setembro pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado por liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado. A prisão preventiva decretada neste sábado não inicia imediatamente o cumprimento da pena.
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