A safra de caju está mudando a rotina de produtores e trabalhadores rurais no Piauí. Em Parnaíba, no litoral do estado, a colheita entrou no período de maior movimento, aumentando a demanda por mão de obra e garantindo matéria-prima para a fabricação de cajuína.
Nos pomares, o trabalho começa cedo. O caju é colhido manualmente e precisa chegar rapidamente à indústria para preservar a qualidade do fruto. Em uma das propriedades acompanhadas pela TV Brasil, a produção ocupa 33 hectares e os tratores chegam a fazer duas cargas por dia, normalmente antes das 11h.
Cerca de 80% da área é ocupada pelo cajueiro-anão CCP 76, variedade conhecida pelo fruto grande e avermelhado. Também são cultivados os clones CCP 09 e CCP 50, que apresentam características diferentes de tamanho e coloração.
Colheita ganha força até setembro
O período mais intenso da safra começou em agosto. Aproximadamente 40% da colheita da propriedade deve ocorrer entre o fim do mês e setembro. Dependendo do comportamento do clima, a produção pode continuar até dezembro e, em alguns casos, chegar aos primeiros meses do ano seguinte.
Com mais frutos disponíveis, cresce também a necessidade de trabalhadores temporários. A contratação de mão de obra é um dos principais desafios dos produtores justamente no momento em que a colheita atinge seu ritmo mais forte.
O movimento beneficia famílias que encontram na safra uma oportunidade de renda e também outros setores envolvidos no transporte e no processamento da produção.
Do pomar para a indústria de cajuína
Depois de colhido, parte do caju segue para a indústria, onde o pedúnculo é aproveitado na fabricação da cajuína. A bebida é produzida a partir do suco clarificado do caju e passa por etapas como extração, filtragem, engarrafamento e tratamento térmico.
A própria Embrapa aponta variedades como CCP 76, CCP 09 e BRS 226 entre as indicadas para a produção de cajuína por causa das características do fruto. O BRS 226, inclusive, foi desenvolvido para condições do Semiárido piauiense e tem sido usado na renovação de áreas de cultivo.
Além do valor econômico, a cajuína mantém uma forte ligação com a cultura e a identidade do Piauí. A cadeia começa no campo, passa pela colheita e pelo transporte e termina no processamento industrial, aproveitando uma fruta característica do Nordeste brasileiro.
Piauí entre os destaques da cajucultura
O estado está entre os principais produtores brasileiros de castanha de caju. Dados recentes do IBGE colocam Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte na liderança nacional da atividade. Para 2026, o instituto iniciou o ano projetando crescimento da produção brasileira de castanha em relação à safra anterior, após problemas provocados pela irregularidade das chuvas em 2025.
No Piauí, a atual colheita mostra como o caju vai muito além do fruto vendido nas feiras. A produção movimenta propriedades rurais, cria vagas temporárias, gera renda e mantém abastecida uma indústria ligada diretamente à tradição piauiense.
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