Levantar várias vezes durante a madrugada para ir ao banheiro ou perceber mudanças no fluxo urinário pode ser sinal de que algo não vai bem com a próstata. Entre as possíveis causas está a hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo crescimento não canceroso da glândula e que se torna mais comum com o avanço da idade.
O assunto ganha espaço durante o Novembro Azul, campanha voltada à conscientização sobre a saúde masculina. Apesar de não ser um tumor maligno e não se transformar em câncer, a HPB pode comprometer a qualidade de vida e provocar sintomas que também aparecem em outras doenças urológicas.
Por isso, alterações persistentes na micção não devem ser consideradas apenas uma consequência natural do envelhecimento. A avaliação médica é importante para identificar a origem dos sintomas e definir o tratamento adequado.
Quais são os sintomas da hiperplasia prostática benigna?
O aumento da próstata pode comprimir a uretra, canal por onde a urina passa para sair da bexiga. Essa pressão dificulta o esvaziamento e provoca alterações no funcionamento do sistema urinário.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Dificuldade para iniciar a micção;
- Jato urinário fraco ou interrompido;
- Sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada;
- Necessidade de urinar várias vezes ao longo do dia;
- Despertares frequentes durante a madrugada para urinar.
A noctúria, nome dado à necessidade de acordar durante a noite para urinar, pode prejudicar o sono e provocar cansaço e indisposição no dia seguinte.
A intensidade dos sintomas varia de acordo com cada paciente. Em alguns casos, a doença provoca desconforto leve; em outros, pode dificultar significativamente as atividades cotidianas.
Quais são as opções de tratamento?
A escolha do tratamento depende do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas, das condições clínicas e dos resultados dos exames.
Quando as manifestações são leves, o acompanhamento médico pode envolver mudanças nos hábitos de vida e medicamentos para aliviar os sintomas ou reduzir o crescimento da glândula.
Nos casos em que essas medidas não são suficientes, podem ser indicados procedimentos para retirar ou reduzir parte do tecido prostático. Existem técnicas realizadas pela uretra, além de intervenções que utilizam laser.
Outra alternativa é a embolização das artérias da próstata, procedimento minimamente invasivo que busca reduzir o fluxo sanguíneo em determinadas regiões da glândula e, consequentemente, diminuir seu volume.
Como é feita a embolização da próstata?
Um dos médicos pioneiros na aplicação da técnica no Brasil é Francisco César Carnevale, radiologista intervencionista e cirurgião endovascular do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
O procedimento consiste na introdução de um cateter por uma artéria localizada na virilha ou no braço. Com o auxílio de exames de imagem e contraste, o especialista identifica os vasos sanguíneos que irrigam a próstata e conduz o material até a região.
Segundo Carnevale, a intervenção é realizada com anestesia local, permitindo que o paciente permaneça acordado durante o procedimento.
“A embolização da próstata é o cateterismo pela virilha ou pelo braço que nós fazemos da próstata com o paciente acordado, conversando conosco, sem dor, sob anestesia local. É uma picada, semelhante a picada da anestesia, feita no dentista. Nós injetamos um contraste e nós também conseguimos fazer uma fotografia das artérias e chegamos dentro da próstata, onde nós injetamos microesferas de resina e elas são inofensivas para os pacientes”, explicou o médico.
As microesferas bloqueiam seletivamente a circulação em determinadas artérias da próstata. Com a redução do fornecimento de sangue, a glândula tende a diminuir de tamanho, o que pode aliviar a compressão sobre a uretra e melhorar o fluxo urinário.
A embolização costuma durar entre uma hora e meia e duas horas. Após algumas horas de observação, o paciente pode receber alta hospitalar e deixar a unidade caminhando.
Apesar dessas características, a técnica não é indicada para todos os homens com HPB. A possibilidade de realização depende de exames, avaliação individual e critérios médicos.
Novembro Azul também alerta para o preconceito
A resistência em procurar atendimento urológico ainda representa um obstáculo para os cuidados com a saúde masculina. O medo e o preconceito relacionados ao exame de toque retal, por exemplo, podem fazer com que alguns homens adiem consultas e avaliações importantes.
Carnevale ressalta a necessidade de manter o acompanhamento com um urologista. Conforme a orientação apresentada pelo especialista, homens sem histórico familiar de câncer de próstata devem procurar avaliação a partir dos 50 anos. Para aqueles que têm parentes com a doença, o acompanhamento pode começar aos 40 anos.
É importante lembrar que a necessidade e a frequência dos exames devem ser discutidas individualmente com o médico, considerando idade, histórico familiar, fatores de risco e preferências do paciente.
O Novembro Azul reforça que cuidar da saúde masculina envolve atenção aos sinais do organismo, informação confiável e acompanhamento profissional. Diante de dificuldade para urinar, alterações persistentes no jato urinário ou despertares frequentes durante a noite, a recomendação é procurar avaliação médica para investigar a causa e conhecer as possibilidades de tratamento.
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