Mais de 916 mil brasileiros que vivem fora do país estão habilitados a participar do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Segundo dados da Justiça Eleitoral, esses eleitores estão distribuídos por 102 países e representam cerca de 0,5% do eleitorado brasileiro, que ultrapassa 158 milhões de pessoas.
O número de brasileiros cadastrados para votar no exterior cresceu em relação às eleições de 2022, quando o total ainda estava abaixo de 800 mil. Apesar da ampliação do eleitorado, a participação nas urnas continua sendo um desafio: no primeiro turno deste ano, a abstenção entre os brasileiros residentes no exterior ficou bem acima da registrada em território nacional.
De acordo com informações do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), responsável pela organização da votação fora do Brasil, mais de 500 mil eleitores não compareceram às urnas na primeira etapa da eleição. O volume corresponde a aproximadamente 62% dos brasileiros habilitados no exterior.
No Brasil, a taxa de abstenção foi de 21%. A diferença evidencia a dificuldade de garantir a participação dos eleitores que vivem em outros países, embora eles tenham o direito de votar na disputa presidencial.
Estados Unidos têm a maior comunidade eleitoral brasileira
Os Estados Unidos concentram o maior número de brasileiros aptos a votar no exterior. No primeiro turno, porém, a abstenção entre esses eleitores chegou a 71%.
Portugal aparece em segundo lugar no total de eleitores brasileiros cadastrados. Entre os habilitados no país europeu, 61% não compareceram às urnas. O Japão ocupa a terceira posição, com abstenção de 58%.
Os dados mostram que a ausência foi elevada em países que reúnem comunidades brasileiras numerosas. As informações divulgadas, entretanto, não especificam os motivos que levaram os eleitores a não participar da votação.
Além daqueles que não compareceram, mais de 10 mil brasileiros que votaram escolheram as opções em branco ou nulo. Esse grupo representou pouco mais de 3% dos eleitores brasileiros residentes no exterior.
Votação no exterior é exclusiva para presidente
Os brasileiros que vivem fora do país e estão regularmente inscritos para votar no exterior participam apenas da eleição para presidente e vice-presidente da República. Diferentemente dos eleitores com domicílio eleitoral no Brasil, eles não votam para governador, senador, deputado federal ou deputado estadual.
Para organizar a votação de 2026, a Justiça Eleitoral instalou 1.310 seções eleitorais em 146 cidades estrangeiras. A estrutura foi distribuída para atender às comunidades brasileiras em diferentes regiões do mundo.
A maior parte dos locais de votação funciona em embaixadas e consulados brasileiros. Dependendo da cidade, também podem ser utilizados espaços como escolas, hotéis e outras instalações disponibilizadas para receber os eleitores.
A organização busca facilitar o acesso às urnas para cidadãos que vivem longe do território brasileiro e precisam de locais adequados para exercer o direito ao voto.
Mulheres são maioria entre os eleitores no exterior
O perfil do eleitorado brasileiro residente em outros países também revela uma diferença entre os gêneros. As mulheres representam 57% dos mais de 916 mil eleitores habilitados, enquanto os homens correspondem a 43%.
A faixa etária com maior concentração de eleitores é a de 40 a 44 anos. Os dados ajudam a compreender as características dos brasileiros cadastrados para participar da eleição presidencial fora do país.
Mesmo com eleitores distribuídos por mais de uma centena de países, a participação depende do comparecimento às seções eleitorais e das condições para que cada cidadão consiga votar.
Como justificar a ausência na votação
Os brasileiros que estiverem no exterior no dia da eleição, mas mantiverem o domicílio eleitoral no Brasil, precisam justificar a ausência caso não consigam votar. O procedimento pode ser realizado pelo aplicativo e-Título ou pelos meios disponibilizados pela Justiça Eleitoral, conforme as regras aplicáveis a cada situação.
Já os cidadãos com inscrição eleitoral regular no exterior devem seguir as orientações específicas para esse cadastro.
É importante que o eleitor consulte os canais oficiais da Justiça Eleitoral para verificar prazos, documentos necessários e formas de apresentação da justificativa.
Com mais de 916 mil brasileiros habilitados a votar em outros países, a eleição presidencial no exterior representa uma parcela pequena do eleitorado nacional, mas exige uma estrutura própria de atendimento. A abstenção de aproximadamente 62% no primeiro turno evidencia o desafio de ampliar a participação dos brasileiros que vivem fora do país.
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