O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta terça-feira (29) executivos das principais empresas de tecnologia na Casa Branca para discutir segurança e regras para o desenvolvimento da inteligência artificial. Após o encontro, Trump afirmou que as companhias concordaram em adotar mecanismos próprios de controle e fiscalização, sem a criação imediata de novas regulamentações federais específicas para o setor.
Durante a reunião, foi apresentado um acordo voluntário de segurança para sistemas avançados de inteligência artificial. O documento, chamado de “White House Accord on Superintelligence”, estabelece compromissos relacionados a controles internos, avaliação de riscos, auditorias externas e supervisão independente dos conselhos das empresas.
Trump classificou o compromisso como “moralmente vinculante” e comparou o documento a uma espécie de constituição para o setor. Apesar disso, o acordo não possui força de lei nem estabelece uma obrigação regulatória federal para as empresas participantes. O texto deixa aberta a possibilidade de que algumas das medidas sejam posteriormente transformadas em leis ou regulamentações.
Governo pretende manter participação
Trump afirmou que não considera necessário, neste momento, estabelecer novas regras federais específicas para controlar o desenvolvimento da inteligência artificial. A proposta apresentada pelo governo é deixar uma parcela significativa da responsabilidade nas mãos das próprias empresas, por meio de mecanismos de autorregulação.
Ao mesmo tempo, o presidente mencionou a atuação de órgãos federais, incluindo o Departamento de Justiça e o FBI, em situações que envolvam possíveis irregularidades relacionadas à tecnologia. Também foi discutida a possibilidade de criação de um comitê com cerca de dez integrantes para acompanhar questões de segurança e desenvolvimento da inteligência artificial.
O acordo prevê que empresas que desenvolvem e utilizam modelos avançados mantenham processos internos de segurança e adotem diferentes camadas de avaliação, incluindo revisões realizadas por organizações externas.
Trump pretende nomear “czar da IA”
Outra medida discutida durante o encontro foi a criação de uma função conhecida como “czar da IA”, que deverá coordenar as iniciativas do governo americano relacionadas à tecnologia.
Trump afirmou que pretende anunciar o escolhido nos próximos dias. Questionado sobre Jay Clayton, atual diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, o presidente disse que ele seria um bom nome para a função.
As atribuições exatas do cargo ainda não foram definidas. Trump também já havia mencionado a criação de uma estrutura chamada “AI Force”, voltada à coordenação das políticas federais relacionadas à inteligência artificial.
Gigantes da tecnologia participaram
A reunião contou com executivos de algumas das maiores empresas de tecnologia e inteligência artificial do mundo. Entre os participantes estavam Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Jensen Huang, Dario Amodei, Sundar Pichai e representantes da OpenAI, Microsoft e outras companhias do setor.
O encontro ocorreu em um momento de aumento das discussões sobre segurança de sistemas avançados de IA. O acordo firmado pelas empresas estabelece compromissos voluntários para ampliar os controles sobre essas tecnologias, mas a forma como as medidas serão fiscalizadas e aplicadas ainda deverá ser definida.
A iniciativa também ocorre em meio ao debate nos Estados Unidos sobre o papel do governo na regulamentação da inteligência artificial. Enquanto a administração Trump defende uma abordagem baseada principalmente em autorregulação, parlamentares e integrantes do próprio setor têm discutido diferentes níveis de participação do poder público na definição de padrões de segurança.
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