O Quilombo Urbano Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, na região central do Rio de Janeiro, passou a ter proteção federal como patrimônio cultural. O reconhecimento foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) durante a 114ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada na terça-feira (22).
A decisão coloca a comunidade como o primeiro quilombo do estado do Rio de Janeiro a receber o tombamento pelo Iphan. O território será inscrito no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos.
História começou na década de 1950
A trajetória do Quilombo Ferreira Diniz está ligada à história de Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos escravizados que passou a viver no local na década de 1950 ao lado do marido, Antônio Dias Pessanha.
Atualmente, aproximadamente 70 descendentes das famílias Ferreira e Diniz permanecem ligados ao território. O espaço reúne diferentes gerações e mantém atividades que fazem parte da vida comunitária, como capoeira, futebol e confraternizações.
A culinária também ocupa um lugar importante na preservação das tradições. Entre as atividades está a feijoada preparada às sextas-feiras por Aparecida Ferreira, conhecida como Tia Cida. Além de preservar um costume familiar, a iniciativa também contribui para a geração de renda e recebe visitantes.
Para o Iphan, o reconhecimento considera o quilombo como um território de memória, convivência e transmissão de conhecimentos relacionados à história e à identidade afro-brasileira.
Outros bens recebem proteção federal
Na mesma reunião, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, realizado em Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
A manifestação acontece todos os anos no Domingo de Páscoa e reúne cerca de 2 mil cavaleiros pelas ruas da cidade. O cortejo será incluído no Livro de Registro das Celebrações.
Segundo o Iphan, a tradição reúne referências ao tropeirismo, atividade ligada ao transporte de mercadorias pelo Vale do Paraíba, e à devoção afro-católica presente na região.
Capela em São Paulo também é tombada
Outro bem reconhecido durante a reunião foi a Capela do Cristo Operário, em São Paulo. A construção é remanescente da antiga Fábrica Unilabor e está relacionada à história industrial, social e operária da capital paulista entre as décadas de 1930 e 1950.
A capela será inscrita no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.
Patrimônios culturais têm registros revalidados
O Conselho Consultivo também aprovou a revalidação dos registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, realizada tradicionalmente em Barbalha, no Ceará.
A manutenção desses registros reforça a continuidade das medidas de proteção e valorização de manifestações culturais que fazem parte do patrimônio imaterial brasileiro.
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