O ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), Marcelo Lopes da Silva, voltou a ser preso nesta quarta-feira (16), no Rio de Janeiro. A nova prisão preventiva é um desdobramento da Operação Ouroboros, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos do instituto.
A ordem foi cumprida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). Segundo o Ministério Público, a análise de materiais extraídos de celulares apreendidos durante a investigação revelou novos elementos que embasaram a medida.
Marcelo já havia sido preso em julho, quando a primeira fase da operação foi deflagrada, mas teve a prisão preventiva posteriormente revogada por decisão em habeas corpus. A nova ordem partiu da 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital.
Investigação aponta contrato de R$ 30 mil
Entre os novos elementos apresentados pelo Ministério Público estão mensagens que, segundo os investigadores, indicariam que Marcelo teria orientado a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir uma empresa para prestar serviços à Engeconsult.
A companhia mantinha contratos de valores elevados com o Instituto Rio Metrópole, enquanto os ajustes passavam pela Procuradoria comandada por Marcelo. De acordo com a investigação, o contrato relacionado à empresa de Thays previa R$ 30 mil, divididos em seis pagamentos de R$ 5 mil, por serviços administrativos.
Para o MPRJ, a estrutura teria sido utilizada para dissimular uma suposta vantagem indevida destinada ao então agente público. As mensagens analisadas também indicariam que Marcelo teria orientado para que determinadas tratativas não fossem registradas por escrito.
Outro elemento apontado pelos investigadores é a relação entre as datas de criação da empresa e da contratação. Segundo o Ministério Público, o negócio foi formalizado posteriormente à data que constava no contrato, enquanto os pagamentos seriam realizados em uma conta de titularidade de Thays.
Mensagens são usadas para investigar possível interferência
A perícia dos aparelhos também teria encontrado conversas que, segundo o GAESF/MPRJ, apontam para uma possível atuação de Marcelo em favor de interesses relacionados ao grupo investigado.
Os investigadores analisam mensagens sobre pareceres, documentos inseridos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e assuntos que poderiam ser encaminhados a órgãos externos de controle.
Em uma das conversas citadas na investigação, Marcelo teria escrito, ao comentar um caso que poderia chegar à Procuradoria-Geral do Estado: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”.
O Ministério Público também sustenta que a atuação atribuída ao ex-procurador teria continuado depois de sua saída do cargo, em 8 de junho. Segundo a investigação, sete dias após o desligamento, ele teria recebido um novo pedido para elaborar um parecer e respondido: “Deixa comigo”.
Denúncia contra investigados foi ampliada
Com os novos elementos obtidos na análise dos aparelhos, o Ministério Público informou que aditou a denúncia apresentada na primeira fase da operação.
Marcelo passou a responder, segundo o MPRJ, por mais seis acusações de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro. Hélio Augusto Machado Pessôa, representante da Engeconsult, também passou a responder por seis novos crimes de lavagem de dinheiro. A Justiça recebeu o aditamento da denúncia.
As novas acusações ainda serão analisadas no curso do processo, e os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.
Ouroboros investiga contratos de R$ 86 milhões
A Operação Ouroboros foi deflagrada em julho pelo MPRJ para investigar um suposto esquema envolvendo contratos do Instituto Rio Metrópole. Na primeira fase, 11 pessoas foram denunciadas por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. Os contratos investigados somam cerca de R$ 86,28 milhões.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, parte dos valores pagos pelo IRM à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia teria sido direcionada ao Instituto BIO, entidade que, de acordo com os investigadores, não teria estrutura compatível com os serviços contratados.
A apuração também identificou movimentações em dinheiro vivo. Em janeiro, investigadores apreenderam R$ 500 mil em espécie que eram transportados sob escolta armada. Segundo o material divulgado sobre a investigação, foram identificadas ainda 28 transferências das empresas contratadas para o Instituto BIO, que somaram R$ 3,29 milhões, além de 13 saques em espécie que totalizaram aproximadamente R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.
A investigação continua, e os novos elementos deverão ser analisados pela Justiça no decorrer do processo.
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