Uma solicitação da Polícia Federal relacionada às investigações sobre o Banco Master permanece sem decisão no Supremo Tribunal Federal (STF) seis meses após ter sido apresentada. O pedido envolve o acesso a informações de pessoas citadas em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que podem estar protegidas pelo foro por prerrogativa de função.
O documento foi encaminhado ao Supremo em março deste ano e está sob análise do ministro André Mendonça. Até esta segunda-feira (14), a autorização para que os investigadores consultassem os dados ainda não havia sido concedida.
O relatório reúne informações sobre movimentações financeiras consideradas atípicas pelo Coaf e relacionadas a uma rede de pagamentos investigada no caso Banco Master. O sigilo do material foi retirado nesta segunda-feira após uma solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Transferência de R$ 1 milhão aparece no documento
Entre as operações analisadas pelo Coaf está uma transferência de R$ 1 milhão realizada em 2024 pela empresa Super Empreendimentos e Participações para uma pessoa que teria exercido função no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no próprio STF.
Como a pessoa mencionada poderia estar submetida ao foro por prerrogativa de função, a PF depende de autorização judicial para acessar informações protegidas relacionadas à movimentação.
O relatório também aponta que a Super Empreendimentos movimentou aproximadamente R$ 19,5 milhões apenas em junho de 2022. Segundo o documento, foram cerca de R$ 9,7 milhões em entradas e valor semelhante em saídas.
Mais de R$ 9 milhões em depósitos teriam sido feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e citado nas investigações como operador financeiro ligado ao empresário.
Na avaliação do Coaf, o volume movimentado chamou atenção porque destoaria do histórico anterior da conta, que teria apresentado pouca movimentação. O órgão também aponta que a conta poderia ter sido utilizada de maneira transitória para receber e repassar dinheiro, o que, segundo a análise, dificultaria a identificação da origem e do destino dos valores.
Igreja da Lagoinha também aparece no relatório
O documento do Coaf cita ainda movimentações financeiras da Igreja da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte.
De acordo com o relatório, a instituição movimentou aproximadamente R$ 57 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. No mesmo período, Fabiano Zettel teria transferido cerca de R$ 19 milhões para a igreja.
O Coaf compara os valores identificados com o faturamento anual presumido da instituição, estimado em aproximadamente R$ 950 mil, e aponta uma possível incompatibilidade entre o volume movimentado, o patrimônio e a capacidade econômica declarada.
O relatório também menciona operações que, na avaliação do órgão, poderiam dificultar a identificação da origem dos recursos, dos destinatários e das pessoas responsáveis pelas movimentações.
Empresas e igreja foram alvo de medidas
A Igreja da Lagoinha Belvedere encerrou as atividades após a prisão de Fabiano Zettel, ocorrida em março.
Já a Super Empreendimentos e Participações teve as atividades suspensas por determinação de André Mendonça.
As informações fazem parte do conjunto de documentos analisados nas investigações relacionadas ao Banco Master. A classificação de operações como atípicas pelo Coaf não significa, isoladamente, que tenha ocorrido crime. Cabe às autoridades responsáveis pelas apurações verificar a origem, a finalidade e a eventual irregularidade das movimentações.
As defesas das pessoas e instituições mencionadas foram procuradas para se manifestar sobre os dados apresentados no relatório. Até o momento, não havia resposta.
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