O mercado internacional de café pode ter um aumento na oferta de arábica brasileiro nas próximas semanas. Grandes empresas do setor estão preparando novos lotes para serem enviados aos armazéns vinculados à bolsa de Nova York, o que pode elevar os estoques certificados e influenciar as cotações.
A movimentação ocorre em um cenário de reservas ainda bastante reduzidas. Os estoques disponíveis na bolsa estão próximos do menor nível em 26 anos, enquanto os preços continuam elevados mesmo diante da expectativa de uma oferta global maior na safra 2026/27.
O contrato futuro de café arábica negociado em Nova York chegou a ultrapassar US$ 3,50 por libra-peso em julho, alcançando o maior valor em seis meses. Desde então, a cotação recuou, mas permanece próxima da marca de US$ 3.
Estoques da bolsa continuam em níveis baixos
A quantidade de café certificado disponível em Nova York é um dos fatores que ajudam a manter os preços sustentados.
Atualmente, os estoques estão em torno de 220 mil sacas. Cerca de 70% desse volume está armazenado em Antuérpia, na Bélgica.
O número está bem abaixo dos níveis registrados entre meados dos anos 2000 e o início de 2022. Naquele período, os estoques certificados chegaram a oscilar entre 1 milhão e 5 milhões de sacas.
Empresas do setor indicam que a Olam estaria trabalhando para certificar entre 150 mil e 200 mil sacas de café brasileiro antes da entrega prevista para o contrato futuro com vencimento em dezembro. A Louis Dreyfus Company também estaria preparando novos volumes para certificação.
As companhias, porém, não divulgaram os motivos que levaram à formação desses estoques.
Exportações brasileiras para a Bélgica disparam
O crescimento das exportações brasileiras de café para a Bélgica também chama a atenção do mercado e reforça a expectativa de novos lotes chegando aos armazéns ligados à bolsa de Nova York.
Dados oficiais analisados pela Terra Investimentos mostram que os embarques brasileiros para o país aumentaram 245,3% em agosto, na comparação anual.
Ao todo, foram exportadas 31,5 mil toneladas, o equivalente a mais de 525 mil sacas de 60 quilos.
Desse volume, mais de 62 mil sacas já teriam chegado aos armazéns da bolsa e aguardam a classificação necessária para serem certificadas.
Entrada de novos lotes pode afetar preços
A estimativa é de que aproximadamente 300 mil sacas sejam incorporadas aos estoques certificados de Nova York.
Mesmo com esse reforço, as reservas ainda ficariam abaixo de 1 milhão de sacas, nível considerado mais confortável por participantes do mercado. Ainda assim, o aumento da disponibilidade pode provocar efeitos sobre os preços.
Um dos motivos está na atuação de fundos que utilizam estratégias algorítmicas. Esses investidores podem ampliar posições vendidas quando os modelos identificam crescimento nos estoques disponíveis na bolsa.
Com isso, a possível recomposição das reservas de Nova York cria um novo elemento de pressão sobre o café arábica brasileiro.
O movimento ocorre justamente quando o mercado trabalha com uma perspectiva de oferta mundial mais ampla para a safra 2026/27, o que pode aumentar a sensibilidade das cotações a qualquer sinal de crescimento dos estoques.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











