A Tesla deu um novo passo em sua aposta nos carros autônomos ao colocar nas ruas de Austin, no Texas, dezenas de Cybercabs que dispensam volante e pedais. Os veículos começaram a transportar passageiros na quinta-feira (3), marcando a estreia comercial de um modelo projetado desde o início para circular sem motorista.
O avanço, porém, veio acompanhado de uma reação quase imediata das autoridades americanas. No dia seguinte ao lançamento, a Administração Nacional de Segurança no Trânsito Rodoviário (NHTSA) abriu uma investigação para verificar se os novos táxis estão de acordo com as normas federais aplicáveis a veículos que circulam em vias públicas.
A atenção dos reguladores se deve justamente às características que diferenciam o Cybercab de um automóvel convencional. O modelo de dois lugares não tem volante, pedais de freio nem espelhos retrovisores tradicionais. Com isso, o passageiro não dispõe de comandos para assumir a direção caso surja um problema durante o trajeto.
A Tesla informou que utilizou o processo de autocertificação adotado pela indústria automobilística americana para declarar que o veículo atende aos requisitos exigidos. A NHTSA decidiu, entretanto, auditar essa certificação e analisar os dados técnicos apresentados pela fabricante. A abertura do procedimento não significa que o órgão tenha concluído que os Cybercabs são irregulares.
Por enquanto, as viagens no novo modelo estão disponíveis apenas em áreas limitadas de Austin, segundo a própria Tesla. A empresa já mantém uma operação de robotáxis com veículos Model Y em cidades do Texas e da Flórida, mas esses automóveis preservam os controles tradicionais.
O Cybercab representa uma aposta mais radical. Em vez de adaptar um carro originalmente concebido para ser dirigido por uma pessoa, a Tesla desenvolveu o veículo para funcionar exclusivamente de forma autônoma. A tecnologia utilizada pela companhia se apoia principalmente em câmeras e inteligência artificial para interpretar o ambiente ao redor.

Essa estratégia também diferencia a Tesla de concorrentes como Waymo e Zoox. Enquanto a empresa de Elon Musk aposta em um sistema baseado em câmeras, as rivais combinam diferentes sensores, incluindo radar e lidar, tecnologia que utiliza pulsos de laser para mapear o ambiente.
O desafio não é apenas tecnológico. Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada neste ano mostrou que sete em cada dez adultos americanos disseram se sentir pouco ou nada confortáveis com a ideia de viajar em um veículo sem motorista.
A Tesla tenta transformar justamente esse mercado em uma das principais frentes de crescimento da companhia. Elon Musk vem defendendo há anos que os serviços autônomos poderão assumir um papel central nos negócios da fabricante, inclusive com a possibilidade futura de proprietários colocarem seus próprios Teslas para trabalhar como táxis quando não estiverem utilizando os carros.
O lançamento também acontece em um momento de pressão sobre a montadora. A Tesla registrou queda anual nas vendas de veículos pelo segundo ano consecutivo e perdeu para a chinesa BYD a liderança mundial em vendas de veículos elétricos. A expectativa em torno dos Cybercabs ajudou as ações da empresa a avançarem mais de 5% no dia da estreia, mas os papéis recuaram quase 6% na sessão seguinte, quando veio a notícia da investigação federal.
Agora, além de convencer passageiros a entrar em um carro sem qualquer controle manual, a Tesla terá de demonstrar aos reguladores americanos que seu novo modelo atende às exigências de segurança para circular em maior escala.
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