O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica completa 30 anos neste sábado (29) mantendo no centro do debate temas como discriminação, violência e acesso a direitos.
A data surgiu durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, realizado em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.
Desde então, o movimento utiliza o período para ampliar a discussão sobre políticas públicas voltadas a mulheres lésbicas e enfrentar situações de preconceito e invisibilidade.
Agosto reúne dois marcos históricos
Além do Dia da Visibilidade Lésbica, agosto também é marcado pelo Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado em 19 de agosto.
A data lembra a mobilização ocorrida em 1983 no Ferro’s Bar, em São Paulo, quando integrantes do Grupo Ação Lésbica Feminista protestaram contra a proibição da circulação do boletim ChanacomChana e outras formas de discriminação no estabelecimento.
Por reunir esses dois acontecimentos históricos, agosto ficou conhecido como Mês da Visibilidade Lésbica.
Denúncias passam de 1,3 mil em 2026
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que o Disque 100 recebeu 1.393 denúncias de violações de direitos humanos contra mulheres lésbicas até agosto de 2026.
Goiás lidera os registros, com 329 denúncias, seguido por São Paulo, com 299, e Rio de Janeiro, com 136. A própria residência da vítima foi o local mais frequente das violações, com 846 casos.
O levantamento também aponta 113 denúncias envolvendo o ambiente virtual e 71 ocorrências na residência do suspeito. Familiares aparecem entre os principais grupos identificados nos relatos de violência.
Saúde e proteção continuam entre as reivindicações
Entre as pautas defendidas por movimentos e organizações estão atendimento de saúde sem discriminação, acesso adequado à saúde sexual, ginecológica e reprodutiva, além de proteção contra violência e garantia de direitos relacionados a trabalho, moradia, segurança e participação social.
O Disque 100 funciona gratuitamente 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. As denúncias podem ser anônimas e são encaminhadas aos órgãos responsáveis pela apuração e pelas medidas de proteção.
Três décadas depois da criação da data, a Visibilidade Lésbica continua sendo utilizada para dar espaço às reivindicações dessa população e chamar atenção para violações que ainda fazem parte da realidade de muitas mulheres no Brasil.
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