O governo do Rio de Janeiro está reforçando as ações de prevenção diante da possibilidade de eventos climáticos mais intensos associados ao El Niño.
Entre os riscos considerados estão ondas de calor, redução da disponibilidade de água, aumento das queimadas e ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos.
As medidas são coordenadas pelo Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, criado no início de julho.
Nesta quinta-feira (20), representantes do governo estadual e prefeitos participaram de uma reunião no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, Zona Norte da capital.
A preparação será estruturada pelo Programa Antecipar e Reagir – Impactos do El Niño do Estado do Rio de Janeiro.
A proposta é organizar ações antes que situações críticas ocorram, com identificação de áreas de risco, planejamento, troca de informações e definição das responsabilidades de cada órgão público.
Quatro áreas concentram o planejamento
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno pode modificar padrões da circulação atmosférica e influenciar a distribuição das chuvas em diferentes regiões, inclusive na América do Sul.
Diante das projeções de maior intensidade do fenômeno em 2026, o governo estadual considera possíveis impactos sobre saúde, agricultura, meio ambiente, recursos hídricos, abastecimento de água e energia e segurança da população.
O comitê foi dividido em quatro câmaras técnicas:
- Defesa Civil;
- Saúde;
- Ambiente e Sustentabilidade;
- Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior.
Entre as iniciativas previstas estão treinamentos para equipes municipais, reforço dos sistemas de monitoramento e alerta e utilização de ferramentas para identificar previamente áreas e grupos mais vulneráveis.
O planejamento contempla possíveis ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagens e queimadas.
Número de incêndios aumenta em julho
As queimadas estão entre as principais preocupações das autoridades estaduais. O secretário de Estado de Defesa Civil, coronel PM Tarcísio Sales, afirmou que condições como baixa umidade, períodos de estiagem e ventos fortes já contribuem para o aumento do risco.
Segundo o secretário, o número de incêndios florestais registrado em julho foi 100% maior que o observado no mesmo mês do ano anterior.
Embora a Região Serrana apresente riscos geológicos específicos, as ações de prevenção e monitoramento serão realizadas em todas as regiões do estado.
Saúde terá apoio de agentes comunitários
O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, destacou que os efeitos do El Niño podem ser agravados por fatores relacionados ao planejamento urbano e à degradação ambiental.
Dentro da estratégia preventiva, ele defendeu a participação de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Cerca de 20 mil profissionais atuam nessas funções no estado, segundo o secretário.
A presença desses trabalhadores nas comunidades pode auxiliar na identificação de situações que demandem intervenção, principalmente por causa do contato direto com os moradores e do conhecimento das características locais.
Uerj participa da articulação
A reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, ressaltou a importância da participação da universidade no processo de preparação.
Segundo ela, as diferenças sociais existentes no estado podem fazer com que determinados grupos sejam mais afetados por eventos climáticos extremos. A universidade pretende contribuir com conhecimento e articulação para fortalecer medidas de prevenção e redução dos impactos.
Governo pede participação da população
O secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, também destacou que a população tem papel importante na prevenção das queimadas.
Com a vegetação mais seca, ações como descartar cigarros em áreas abertas ou pela janela de veículos podem provocar incêndios. O secretário ainda alertou para os riscos associados à soltura de balões.
A pasta também acompanha a situação dos recursos hídricos e reforça a necessidade de evitar o descarte de resíduos em rios, canais, valões e outros cursos d’água, especialmente diante da possibilidade de menor disponibilidade de água.
Comitê reúne diferentes órgãos
A reunião contou ainda com a participação dos secretários Tarcísio Sales, Ronaldo Damião, Rodrigo Mascarenhas e Ricardo Mansur, além da reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva; da chefe do Serviço de Articulação Interfederativa e Participativa da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Patrícia Santana; e do coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo, promotor de Justiça Vinícius Lameira Bernardo.
A proposta do comitê é integrar estado e municípios para antecipar medidas de prevenção e resposta. A estratégia busca ampliar o monitoramento e preparar os órgãos públicos para possíveis impactos associados ao El Niño ao longo de 2026.
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