A Polícia Federal investiga uma possível relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e pessoas ligadas ao Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero. Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão registros de uma visita do parlamentar e de sua esposa à Ilha da Paixão, propriedade atribuída a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, fundador do banco.
As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta quinta-feira (30). Segundo o relatório policial citado pela publicação, a visita teria acontecido em outubro de 2023. Fotografias e mensagens analisadas durante a investigação indicariam que o imóvel era utilizado para encontros entre familiares e pessoas próximas de Lima.
Os investigadores também apontaram a existência de contatos frequentes entre Wagner e Augusto Lima. Parte das comunicações teria ocorrido por ligações telefônicas e mensagens de voz, em vez de conversas por texto.
Monitoramento de celulares foi autorizado
Segundo informações divulgadas pelo portal g1, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, autorizou o monitoramento dos celulares de Jaques Wagner e Augusto Lima.
A medida faz parte da apuração sobre possíveis conexões entre agentes políticos e integrantes ou pessoas próximas ao Banco Master. Os investigadores buscam identificar se houve alguma atuação do senador em defesa de interesses relacionados à instituição financeira.
As suspeitas também envolvem a possibilidade de que eventual atuação política tenha sido acompanhada pelo recebimento de vantagens. Até o momento, porém, as informações levantadas pela PF integram uma investigação e não constituem, por si só, comprovação definitiva de crimes.
Conversas mencionam aproximação política
Outro conjunto de mensagens analisado pela investigação envolve Daniel Vorcaro e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações durante o governo Jair Bolsonaro.
Conforme informações divulgadas pelo Poder360, uma conversa de maio de 2024 teria abordado a aproximação de Vorcaro com políticos da Bahia. O empresário teria mencionado apoio recebido de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e atual vice-presidente nacional do União Brasil.
Na mesma conversa, Fábio Faria teria sugerido que Vorcaro também buscasse aproximação com integrantes do PT baiano, indicando que a iniciativa não seria problemática.
A partir desses e de outros elementos, a PF apura se houve uma eventual relação de troca envolvendo o senador e pessoas ligadas ao Banco Master.
Investigação apura possíveis benefícios
Entre os pontos examinados pelos investigadores estão possíveis benefícios que teriam sido destinados a pessoas relacionadas ao senador. A lista mencionada na apuração inclui um imóvel de alto padrão em Salvador, estimado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, uso de aeronaves particulares, ingressos para eventos e transferências financeiras para empresas associadas a familiares de Wagner.
A existência desses elementos ainda está sob investigação e não significa que os benefícios tenham sido comprovadamente recebidos como contrapartida por uma atuação parlamentar.
Jaques Wagner nega as acusações e afirma que nunca trabalhou em defesa dos interesses do Banco Master nem atuou para beneficiar a instituição.
Operação investiga suspeitas bilionárias
A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025 e que já alcançou a nona fase. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras e outras irregularidades envolvendo integrantes do Banco Master e pessoas relacionadas à instituição.
Outros nomes da política brasileira também aparecem no caso ou foram alvo de medidas durante as diferentes etapas da operação, entre eles o senador Ciro Nogueira e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
Segundo os investigadores, o esquema sob apuração envolveria suspeitas de pagamentos indevidos a servidores do Banco Central, tentativas de pressão sobre adversários e utilização de fundos considerados fraudulentos para esconder problemas em demonstrações financeiras do banco.
As ações realizadas no decorrer da operação já resultaram no bloqueio ou sequestro de mais de R$ 5,7 bilhões.
Até o momento, Wagner mantém a negativa de envolvimento em irregularidades e rejeita a hipótese de ter atuado em benefício do Banco Master. Augusto Ferreira Lima, Fábio Faria e ACM Neto também foram procurados pelas reportagens que divulgaram as informações, mas não haviam se manifestado sobre as citações a seus nomes no relatório policial.
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