Mais de meio milhão de imóveis permaneciam sem energia elétrica no estado do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (30), um dia após o forte vendaval que atingiu diferentes municípios fluminenses. As rajadas derrubaram árvores, romperam cabos, danificaram equipamentos e dificultaram o acesso das equipes responsáveis pela recuperação da rede.
Na capital, os ventos ultrapassaram a marca de 100 quilômetros por hora durante a tarde de quarta-feira (29). No Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, a estação meteorológica registrou rajadas de até 105 km/h no momento de maior intensidade.
A Light informou que aproximadamente 370 mil clientes continuavam sem fornecimento de energia. Segundo a concessionária, pelo menos 44 árvores caíram diretamente sobre a rede elétrica, provocando interrupções em diferentes áreas da cidade.
Entre os bairros com maiores impactos estavam Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes. A empresa afirmou que mantém equipes mobilizadas para remover obstáculos, substituir equipamentos danificados e restabelecer gradualmente o serviço.
Nas áreas atendidas pela Enel, cerca de 142 mil imóveis permaneciam sem eletricidade. Os problemas mais graves foram registrados no sul do estado, principalmente nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba.
Nessas cidades, a queda de árvores atingiu ruas, rodovias e estruturas da rede elétrica. Em determinados pontos, os bloqueios impediram a passagem imediata dos técnicos, atrasando a chegada das equipes e o início dos reparos.
O temporal também provocou cinco desabamentos em diferentes regiões. Um dos episódios mais graves ocorreu na zona sul da capital, onde a queda de um muro causou a morte de duas pessoas.
De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros resgatou 31 pessoas durante as ocorrências relacionadas ao mau tempo. As equipes também realizaram buscas por uma pessoa que teria desaparecido na região de Mambucaba, no litoral de Angra dos Reis.
A força do vendaval provocou impactos no sistema elétrico que abastece a Região Metropolitana. Às 15h57 de quarta-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico realizou desligamentos em redes de transmissão e distribuição que atendem a área do Rio de Janeiro.
Segundo o ONS, as cargas foram totalmente restabelecidas às 17h35. A normalização do sistema de transmissão, no entanto, não significou a retomada imediata do fornecimento para todos os consumidores, já que os danos nas redes locais continuaram afetando milhares de imóveis.
Grande parte das interrupções foi causada pela queda de árvores, galhos e estruturas sobre postes, transformadores e cabos. Em diversos locais, as equipes dependiam da retirada desses materiais antes de iniciar os serviços técnicos.
Os ventos fortes também afetaram a mobilidade no estado. Os aeroportos Santos Dumont e Internacional Tom Jobim registraram alterações operacionais, enquanto os sistemas de metrô e trens metropolitanos enfrentaram interrupções e mudanças na circulação.
No transporte ferroviário, dois ramais foram prejudicados. A concessionária TrensRJ suspendeu temporariamente viagens em trechos do ramal Japeri por causa dos danos provocados pelo vendaval.
A interrupção atingiu o percurso entre Comendador Soares e Japeri, incluindo a extensão até Paracambi. Passageiros precisaram buscar rotas alternativas e acompanhar as mudanças divulgadas durante o período de paralisação.
No ramal Saracuruna, usuários que viajavam entre Gramacho e Saracuruna tiveram que realizar uma troca de composição na estação Campos Elíseos. A alteração foi adotada para manter parte do atendimento diante das limitações operacionais.
Além das falhas no fornecimento de energia e dos transtornos nos transportes, as rajadas bloquearam ruas, atingiram imóveis e aumentaram a demanda pelos serviços de emergência em diferentes municípios.
As concessionárias afirmaram que os trabalhos seguem de forma contínua, mas não divulgaram um prazo geral para a recuperação completa do abastecimento. O tempo necessário varia conforme a extensão dos danos, as condições de acesso às áreas atingidas e a necessidade de substituir postes, cabos ou outros equipamentos.
Enquanto os reparos avançam, mais de 510 mil imóveis permanecem sem eletricidade. A quantidade de consumidores afetados demonstra a dimensão dos estragos provocados pelo vendaval e mantém moradores de várias regiões do estado à espera da normalização dos serviços.
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