A Fundação Cacique Cobra Coral anunciou o encerramento de uma parceria mantida há décadas com a Argentina após as declarações feitas pelo presidente Javier Milei durante sua passagem pelo Brasil. A entidade brasileira afirmou que decidiu suspender a chamada assistência climática oferecida ao país vizinho em resposta às críticas direcionadas ao governo brasileiro.
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (27), um dia após Milei participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, evento que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato da legenda à Presidência da República.
Durante o encontro político, o presidente argentino fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao mencionar o magistrado, Milei utilizou a expressão “lixo careca”, declaração que provocou reação de autoridades brasileiras.
Em resposta ao episódio, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos. O Itamaraty também divulgou uma manifestação sobre as declarações e classificou o episódio como uma situação de grande gravidade nas relações diplomáticas entre os dois países.
Fundação exige retratação de Milei
Ao comunicar a suspensão da parceria, a Fundação Cacique Cobra Coral classificou as declarações do presidente argentino como um ataque político ao Brasil. A organização afirmou que a colaboração poderá ser retomada caso Javier Milei apresente um pedido formal de desculpas.
A instituição também declarou que, sem uma retratação, a Argentina ficará “por sua conta e risco em pleno início da atuação do fenômeno El Niño”. A referência foi feita em meio às previsões climáticas para o período.
Segundo a fundação, a interrupção da colaboração não estaria relacionada a uma mudança nas condições meteorológicas, mas diretamente às declarações políticas feitas pelo presidente argentino durante sua passagem pelo país.
Relação teria começado na década de 1980
De acordo com informações divulgadas pela própria Fundação Cacique Cobra Coral, a parceria com a Argentina teria começado durante a Guerra das Malvinas, em 1982, e continuado durante o governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente eleito democraticamente no país após a ditadura militar.
A entidade também cita uma atuação realizada em janeiro de 1989, durante uma crise no setor energético argentino. Segundo a própria fundação, teria sido realizada uma “operação mística” com a finalidade de influenciar as condições meteorológicas e favorecer a ocorrência de chuvas.
Na ocasião, a Argentina enfrentava níveis reduzidos nos reservatórios utilizados para a produção de energia hidrelétrica. A iniciativa, segundo o relato da instituição, buscava contribuir para a recuperação dos volumes de água durante o período de estiagem.
Fundação relaciona cenário ao El Niño
A decisão foi anunciada em um momento em que a fundação menciona a possibilidade de chuvas acima da média em regiões da Argentina associadas às bacias dos rios Iguaçu, Paraná e Uruguai.
A organização relacionou as condições previstas à influência do El Niño e classificou o período como especialmente relevante para o país. Apesar disso, a entidade deixou claro que a suspensão da parceria foi apresentada como uma resposta às declarações de Javier Milei, e não como resultado de uma alteração nas projeções meteorológicas.
É importante destacar que as alegações da Fundação Cacique Cobra Coral sobre a capacidade de interferir ou modificar fenômenos climáticos não são reconhecidas como mecanismo científico pela meteorologia convencional.
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