Os embarques brasileiros de carne bovina para a China continuam sujeitos à tarifa regular de 12%, apesar da proximidade do limite anual estabelecido pelo governo chinês.
O Ministério da Agricultura e Pecuária esclareceu que a cobrança adicional de 55% ainda não começou a ser aplicada ao produto nacional.
A sobretaxa somente será acionada caso as exportações ultrapassem a cota reservada ao Brasil em 2026. Para este ano, o teto foi definido em 1,106 milhão de toneladas.
Enquanto o volume permanecer dentro desse limite, as vendas brasileiras continuarão seguindo as condições atuais de acesso ao mercado chinês.
Brasil já utilizou 80% do limite
Informações divulgadas pela China indicam que aproximadamente 80% da cota destinada ao Brasil já foi utilizada.
O percentual mostra que o setor pecuário se aproxima do teto permitido para o ano, mas ainda existe margem para a continuidade dos embarques sem a cobrança adicional.
A tarifa de 55% poderá incidir apenas sobre a quantidade que ultrapassar 1,106 milhão de toneladas. O produto comercializado dentro da cota permanece sujeito à alíquota de 12%.
Ministério contesta informação sobre nova taxação
O Ministério da Agricultura rejeitou interpretações de que a carne bovina brasileira já estaria sendo atingida por uma nova tarifa chinesa.
Segundo a pasta, a medida anunciada no fim do ano passado funciona como uma salvaguarda comercial e depende do volume exportado por cada país fornecedor.
A regra não foi elaborada exclusivamente para o Brasil. Outros exportadores de carne bovina também possuem cotas próprias e poderão enfrentar a cobrança adicional caso ultrapassem os limites determinados pelas autoridades chinesas.
Salvaguarda busca controlar importações
A medida adotada pela China tem como objetivo controlar o crescimento das importações e proteger o mercado doméstico.
Dentro do sistema, cada país pode comercializar uma quantidade previamente definida pagando a tarifa regular. O volume excedente fica sujeito à alíquota mais elevada.
No caso brasileiro, a proximidade do limite aumenta a atenção de frigoríficos, produtores rurais e exportadores, que acompanham a evolução dos embarques ao longo do ano.
China é principal destino da carne brasileira
O mercado chinês ocupa posição central para a pecuária nacional. A China é o maior comprador da carne bovina exportada pelo Brasil e responde por parcela expressiva das vendas externas do setor.
Em 2025, aproximadamente 1,68 milhão de toneladas do produto brasileiro foram enviadas ao país asiático.
O volume representou quase metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil naquele ano, demonstrando a forte dependência do setor em relação à demanda chinesa.
Excedente poderá enfrentar tarifa de 55%
Com cerca de 80% da cota já utilizada, o Brasil se aproxima de um momento decisivo para as exportações de 2026.
Caso os embarques superem o teto anual de 1,106 milhão de toneladas, a quantidade excedente poderá ser submetida à tarifa adicional de 55%.
A cobrança mais elevada poderá reduzir a competitividade da carne brasileira no mercado chinês e influenciar as decisões de exportadores sobre o ritmo dos embarques.
Até que o limite seja efetivamente ultrapassado, entretanto, não existe nova taxação sobre o produto brasileiro. As vendas realizadas dentro da cota continuam sujeitas à tarifa regular de 12%.
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