A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu, nesta terça-feira (7), o diploma póstumo de bacharel em Ciências Econômicas ao estudante Stuart Angel, morto durante a ditadura militar. A homenagem foi realizada 55 anos após sua prisão, tortura, assassinato e desaparecimento, reconhecendo oficialmente a trajetória acadêmica interrompida pela repressão política.
A cerimônia ocorreu no Salão Dourado da universidade, no campus da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e reuniu familiares, integrantes da comunidade acadêmica, estudantes e amigos de Stuart Angel. Para a instituição, o ato representa um reconhecimento histórico e reafirma o compromisso com a preservação da memória das vítimas do regime militar.
Mobilização tornou homenagem possível
A concessão do diploma foi resultado de uma iniciativa liderada pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, em parceria com o economista Lucas Duda, ex-diretor do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA). O pedido foi encaminhado ao reitor da UFRJ e ganhou apoio após uma homenagem promovida em maio de 2025.
Segundo os organizadores, a diplomação simboliza uma reparação histórica às violações cometidas pelo Estado brasileiro durante o período da ditadura e reconhece o direito de Stuart Angel de concluir, ainda que simbolicamente, sua formação universitária.
Memória e defesa da democracia
Durante a cerimônia, Hildegard Angel destacou a importância de manter viva a memória dos brasileiros que sofreram perseguição política e relembrou a luta de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que dedicou anos à busca pela verdade sobre o desaparecimento do filho e denunciou internacionalmente os crimes cometidos pelo regime militar.
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, afirmou que a homenagem possui também um papel educativo, ao incentivar as novas gerações a conhecerem a história do país e refletirem sobre a importância da defesa da democracia e dos direitos humanos.
Estado reconheceu responsabilidade pela morte
A universidade lembrou que, em 2019, o atestado de óbito de Stuart Angel foi retificado pelo Estado brasileiro. O documento passou a registrar oficialmente que sua morte ocorreu de forma violenta e foi causada pelo Estado, durante a perseguição a opositores da ditadura instaurada em 1964.
Novas homenagens estão previstas
A UFRJ informou que pretende estender a iniciativa a outros estudantes mortos ou desaparecidos durante o regime militar. A instituição trabalha para conceder homenagens póstumas a mais 25 ex-alunos identificados no relatório da Comissão Nacional da Verdade.
Nos casos de estudantes que chegaram a concluir a graduação antes de serem vítimas da repressão, como Lincoln Bicalho Roque, Raul Amaro Nin Ferreira e Solange Lourenço Gomes, a universidade estuda a entrega de medalhas póstumas em reconhecimento às suas trajetórias e à violência sofrida durante o período da ditadura militar.
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