O governo da Venezuela deverá tratar com o Brasil a retomada do pagamento de uma dívida de US$ 682 milhões (R$ 3,5 bilhões) com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O tema foi abordado na mais recente visita do Assessor Especial do governo Brasileiro, embaixador Celso Amorim, à Venezuela, quando se encontrou com o presidente Nicolás Maduro.
Amorim fez uma viagem discreta e a questão da dívida não foi o tema central da conversa, mas segundo ele, Maduro não expressou “nenhum esboço de negação da dívida” e demonstrou “total disposição de acertar”.
O embaixador que já foi ministro das Relações Exteriores, atualmente, no governo Lula, exerce a função de Assessor Especial da Presidência para Assuntos Internacionais.
O encontro do embaixador Celso Amorim com Nicolás Maduro é uma das promessas de campanha de Lula. Vamos retomar as relações com los hermanos da Venezuela.
Vida larga ao presidente Lula 🇧🇷🇻🇪 pic.twitter.com/MOKOuMTQs8— 🚩iolegassibe💯%PT🚩🇧🇷Lula13♥️ (@reynaldogassibe) March 12, 2023
Há disposição por parte do governo venezuelano em ressarcir os cofres brasileiros, mas os detalhes do pagamento não foram tratados durante a conversa, segundo informou setores da mídia brasileira.
“Não sei se é dívida só com o BNDES. Há uma questão de seguro de crédito. Mas, não fui com uma missão técnica, fui apenas com dois assessores diretos. Não houve nenhum esboço de negação da dívida e há total disposição de acertar. Não me cabia conversar se vai acertar em uma vez, duas vezes, mas há disposição em reprogramar e ressarcir”, disse o ex-chanceler.
“Maduro se comprometeu a equacionar a questão da dívida. Claro que não vão pagar tudo de uma vez. Foi um pouco mais do que ‘devo, não nego, pagarei quando puder’. Foi um devo e quero pagar. Não houve conversa sobre isso com o governo Bolsonaro que, aliás, queria que eles não pagassem para usar isso. Acho que será pago normalmente”, disse o assessor.
Em nota divulgada após a divulgação da notícia, o BNDES informou que procurará Amorim para “entender como se deram as conversas” com Maduro.
“A atual diretoria do BNDES não foi, até o momento, formalmente informada sobre a disponibilidade de a Venezuela retomar os pagamentos. Entretanto, buscará atuar em conjunto com o governo federal na direção de restabelecer o fluxo de pagamentos dos financiamentos”, disse a nota.
O maior projeto financiado pelo BNDES na Venezuela é a construção da Usina Siderúrgica Nacional, tocada pela empreiteira Andrade Gutierrez. A obra teve um empréstimo de US$ 865 milhões (R$ 4,5 bilhões) contratado em 2010. Outro projeto de destaque é a construção da Linha 2 do Metrô de Los Teques, a cargo da Odebrecht, que recebeu empréstimo de US$ 862 milhões (R$ 4,4 bilhões).
No total, o BNDES já desembolsou US$ 10,5 bilhões (R$ 54,7 bilhões) em financiamentos a obras no exterior, em 15 países, desde fins dos anos 1990. Até dezembro do ano passado, o banco recebeu de volta US$ 12,867 bilhões (R$ 66,78 bilhões).
Da Sputnik com edição da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











