Com a chegada das festas juninas, a Força Aérea Brasileira intensificou o alerta sobre os perigos da soltura de balões.
Embora ainda seja vista por algumas pessoas como uma tradição dessa época do ano, a prática representa risco real para a aviação, para o meio ambiente e para a população.
A soltura de balões é crime ambiental no Brasil. Quem fabrica, vende, transporta ou solta esse tipo de artefato pode responder criminalmente, com previsão de multa e pena de um a três anos de prisão.
O alerta ganha força especialmente nos meses de junho e julho, quando aumentam as ocorrências relacionadas às comemorações juninas.
Segundo a FAB, os balões não tripulados são considerados especialmente perigosos porque sobem sem qualquer controle e podem alcançar áreas usadas por aeronaves.
Mesmo artefatos pequenos podem causar danos graves se atingirem um avião em voo.
O comandante do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea da FAB, coronel Deoclides Fernandes Barbosa, explicou que uma aeronave pode voar a cerca de 800 km/h.
Nessa velocidade, o impacto contra um balão pode comprometer partes importantes da estrutura da aeronave.
Um dos riscos mais graves é a entrada do material em um dos motores, situação que pode afetar a estabilidade do voo e colocar passageiros e tripulantes em perigo.
Além da possibilidade de colisão, os balões também podem causar transtornos operacionais nos aeroportos.
Quando caem em pistas de pouso, áreas próximas ou regiões de aproximação, podem obrigar a suspensão temporária de pousos e decolagens.
Nesses casos, o tráfego aéreo precisa ser reorganizado para preservar a segurança das operações.
O problema também preocupa autoridades ambientais. Ao cair em áreas de mata, florestas ou locais com vegetação seca, os balões podem provocar incêndios de grandes proporções.
Por isso, a FAB reforça que a prática não deve ser tratada como uma brincadeira ou costume inofensivo, mas como uma conduta capaz de gerar consequências graves.
Durante o período junino, a preocupação aumenta porque muitos balões são produzidos em tamanhos maiores e com estruturas mais pesadas.
Quanto maior o artefato, maior também o risco em caso de colisão com aeronaves ou queda em áreas urbanas, rurais ou ambientais.
Para a FAB, é fundamental que a população compreenda que celebrar as festas juninas não pode significar colocar vidas em risco.
As comemorações fazem parte da cultura brasileira, mas devem ocorrer de forma segura e dentro da lei, sem práticas que ameacem passageiros, tripulações, comunidades e o patrimônio ambiental.
Além da Força Aérea Brasileira, o RIOgaleão também realiza ações de conscientização sobre os riscos da soltura de balões.
A concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, informou que, neste ano, já comunicou à Agência Nacional de Aviação Civil 15 ocorrências envolvendo balões.
Apesar da preocupação, o número representa queda de 61,5% em relação ao ano anterior.
A redução é vista como reflexo das campanhas de orientação, mas as autoridades ressaltam que qualquer ocorrência continua sendo motivo de alerta, já que basta um balão em área de risco para comprometer a segurança aérea.
A campanha reforça que a prevenção depende da colaboração da sociedade.
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