A violência armada no Grande Rio voltou ao centro do debate público após uma semana marcada por mortes e agentes de segurança baleados em diferentes regiões da Região Metropolitana. Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, mais da metade das pessoas baleadas no Grande Rio em 2026 foi atingida durante ações ou operações policiais.
De acordo com os dados, 52,5% dos baleados na Região Metropolitana foram vítimas desse tipo de ocorrência. O índice representa uma média de 16 pessoas baleadas por semana em ações policiais, em um cenário de forte impacto sobre moradores, trabalhadores e também sobre os próprios agentes de segurança.
Nesta quinta-feira, o subtenente da Polícia Militar André Luiz Cardoso Eccard morreu após ser baleado em uma ação na Covanca, região do Tanque, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. Outros três policiais também ficaram feridos. Segundo a Agência Brasil, os quatro agentes foram socorridos ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas Eccard não resistiu.
Após a morte do subtenente, o Batalhão de Operações Especiais realizou uma operação no Morro da Caixa D’Água, também no Tanque, nesta sexta-feira. A ação ocorreu em meio à tensão provocada pelo ataque contra os policiais e pela escalada de confrontos na região.
Na mesma semana, os pedreiros Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis foram mortos a tiros no Jardim Catarina, em São Gonçalo, no Leste Metropolitano. Segundo relatos de moradores e familiares, os dois estavam a caminho do trabalho em uma motocicleta, carregando ferramentas e marmitas, quando foram baleados durante uma ação policial.
Ainda conforme os relatos, os trabalhadores teriam sido confundidos com criminosos. O caso provocou protestos e comoção na região, além de reacender questionamentos sobre protocolos de abordagem, identificação de alvos e riscos para civis em áreas submetidas a operações policiais.
Com esses episódios, o Grande Rio chega a 405 tiroteios registrados durante ações e operações policiais em 2026. Ao todo, 367 pessoas foram baleadas nesses episódios, com 181 mortos e 186 feridos. O número corresponde a 52,5% do total de baleados na Região Metropolitana no ano, que soma 698 vítimas.
Os dados também mostram que os confrontos não atingem apenas civis. Em 2026, 17 agentes de segurança foram baleados quando estavam em serviço, e três morreram. Esse grupo representa 35% dos 49 agentes baleados ao longo do ano.
Relatórios recentes do Instituto Fogo Cruzado já apontavam o peso crescente das ações policiais nos registros de violência armada. Em abril, por exemplo, as ações policiais responderam por 53% dos tiroteios mapeados no mês no Grande Rio, maior patamar de 2026 até então.
O quadro evidencia um impasse persistente na segurança pública fluminense: de um lado, a necessidade de enfrentamento ao crime armado; de outro, o impacto letal de operações em áreas densamente povoadas, com risco elevado para moradores, trabalhadores e agentes públicos.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












