A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a retomada das atividades da unidade industrial da Ypê, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
A decisão foi anunciada nesta sexta-feira após uma nova avaliação técnica apontar que a empresa cumpriu parte significativa das exigências sanitárias estabelecidas pelo órgão regulador.
A liberação ocorreu após uma inspeção conduzida por equipes da Anvisa em conjunto com órgãos estaduais e municipais de vigilância sanitária. A fiscalização analisou as medidas implementadas pela Química Amparo para corrigir irregularidades identificadas durante uma vistoria realizada em abril.
Na ocasião, os fiscais registraram 76 não conformidades relacionadas aos processos de fabricação, sistemas de rastreabilidade, controle de qualidade e monitoramento de riscos à saúde dos consumidores.
Para regularizar a situação, a empresa apresentou um plano de ação contendo medidas corretivas para cada uma das falhas apontadas.
Segundo a Anvisa, as adequações realizadas restabeleceram condições consideradas satisfatórias para a fabricação segura dos produtos.
Mesmo com a autorização para retomada da produção, a agência informou que continuará acompanhando a execução das medidas previstas por meio de monitoramentos e inspeções periódicas.
Com a decisão, produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026 poderão voltar a ser comercializados normalmente.
Entre os itens liberados estão detergentes líquidos para louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos após essa data.
Apesar da retomada das operações, algumas restrições permanecem em vigor. A Anvisa manteve suspensa a comercialização e o uso de determinados lotes de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes identificados pelo final “1”.
Esses produtos deverão permanecer armazenados até que análises laboratoriais comprovem sua conformidade com os padrões sanitários exigidos.
A crise teve início em maio, quando a agência determinou a suspensão de mais de uma centena de lotes da marca após identificar falhas sanitárias consideradas graves na unidade industrial de Amparo.
As irregularidades levantaram preocupações sobre possíveis riscos de contaminação microbiológica durante o processo produtivo.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque a empresa já havia enfrentado, em 2025, um episódio envolvendo a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos destinados à lavagem de roupas.
Embora o microrganismo seja encontrado naturalmente no ambiente, ele pode representar riscos à saúde de pessoas imunossuprimidas, idosos, transplantados e pacientes em tratamento médico.
A Anvisa ressaltou que todas as medidas adotadas tiveram caráter preventivo e foram direcionadas à proteção da saúde pública.
A agência também reforçou que os produtos atualmente interditados somente poderão retornar ao mercado após a apresentação de laudos emitidos por laboratórios autorizados comprovando sua segurança e conformidade sanitária.
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