A Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada ao governo de Minas Gerais, enfrenta uma pendência contratual superior a 1,57 milhão de doses de insulina destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi revelada por documentos públicos analisados pelo jornal Metrópoles, faltando menos de 30 dias para o encerramento do acordo firmado com o Ministério da Saúde.
O volume ainda não entregue representa cerca de 20% do total previsto no contrato assinado em junho de 2025 entre o governo federal e o laboratório público mineiro. Apesar da parceria oficial envolver a Funed, a produção da insulina é realizada pela farmacêutica Biomm, empresa que passou a ser associada às investigações e controvérsias envolvendo o Banco Master.
Até abril deste ano, o fundo Cartago FIA, administrado pelo Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, detinha aproximadamente 26% da participação acionária da Biomm. Com o avanço das investigações sobre a instituição financeira, o fundo acabou sendo dissolvido e os ativos migraram inicialmente para o Banco de Brasília (BRB), sendo posteriormente transferidos para a gestora Alaska Asset Management.
A situação trouxe novos questionamentos sobre a estrutura societária da empresa responsável pelo fornecimento das insulinas destinadas à rede pública de saúde.
Além das mudanças societárias, a Biomm também enfrenta dificuldades operacionais relacionadas à parceria internacional com o laboratório indiano Wockhardt, responsável por parte da fabricação do medicamento.
Segundo informações divulgadas, a companhia indiana solicitou alterações no processo produtivo logo após a assinatura do contrato com o governo brasileiro. No entanto, o pedido acabou rejeitado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após meses de análise técnica.
A representante brasileira da Wockhardt também acumula débitos superiores a R$ 822 mil em Pernambuco, valores inscritos em dívida ativa estadual.
Em nota, a Biomm afirmou que os atrasos foram provocados por problemas logísticos internacionais, incluindo conflitos no Golfo Pérsico e restrições globais na cadeia de produção farmacêutica. A empresa sustenta que apenas cerca de 3% do volume total ainda depende de trâmites burocráticos para liberação.
Diante da demora, o Ministério da Saúde notificou formalmente a farmacêutica e acompanha o cronograma de entregas.
Apesar da pendência, a pasta informou que não há risco imediato de desabastecimento no SUS. Segundo o governo federal, aproximadamente 85,7% das entregas previstas já foram concluídas. Para evitar eventual falta do medicamento na rede pública, contratos emergenciais com fornecedores chineses vêm sendo utilizados, inclusive com produtos ainda sem registro definitivo na Anvisa.
A parceria entre Biomm e Wockhardt havia sido celebrada em 2017 como um marco para a retomada da produção nacional de insulina após quase 20 anos sem fabricação em território brasileiro. O projeto tinha como objetivo suprir até metade da demanda nacional do medicamento utilizado por milhões de pacientes diabéticos.
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