O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começou a produzir efeitos nesta sexta-feira (1º), após mais de 20 anos de negociações. A iniciativa estabelece uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e promete ampliar significativamente o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.
Mesmo já em vigor, o tratado ainda está em fase provisória e será analisado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, processo que pode levar até dois anos. Até lá, no entanto, as medidas previstas começam a ser aplicadas gradualmente.
Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa zero. A medida abrange mais de 5 mil produtos, incluindo itens industriais, alimentos e matérias-primas, o que tende a aumentar a competitividade do Brasil no comércio internacional.
A indústria aparece como principal beneficiada neste primeiro momento. Cerca de 93% dos produtos com tarifas eliminadas imediatamente pertencem ao setor industrial, com destaque para máquinas, equipamentos, produtos químicos, metalúrgicos e materiais elétricos.
Em alguns segmentos, como o de equipamentos industriais, praticamente toda a exportação brasileira passa a entrar no mercado europeu sem impostos.
O acordo conecta economias que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto expressivo, ampliando o alcance comercial do Brasil. Com isso, a participação de países com acordos comerciais no total das importações brasileiras pode crescer de cerca de 9% para mais de 37%.
Apesar dos avanços, algumas áreas terão adaptação gradual. Setores considerados sensíveis, como o automotivo, contarão com prazos mais longos para redução de tarifas, que podem variar entre 10 e 30 anos. A medida busca equilibrar a abertura comercial com a proteção da produção local.
Além da redução tarifária, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padronização técnica e compras governamentais. Isso permitirá que empresas brasileiras participem de licitações públicas na Europa e vice-versa, ampliando oportunidades de negócios.
O texto do acordo passou por ajustes ao longo dos anos para atender a interesses estratégicos do Brasil. Segundo o governo, versões anteriores foram revisadas antes da formalização final.
Especialistas avaliam que o cenário global, marcado por disputas comerciais e mudanças geopolíticas, contribuiu para a conclusão do tratado, visto como uma forma de garantir maior estabilidade nas relações econômicas.
Embora os efeitos completos devam aparecer de forma gradual, o início da vigência representa um passo relevante para a inserção internacional do Brasil e o fortalecimento dos laços comerciais entre Mercosul e União Europeia.
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