As investigações sobre a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, continuam em andamento com novas etapas de escuta de familiares das vítimas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A ação policial terminou com 122 mortes, entre elas cinco agentes de segurança, e segue sob apuração para esclarecer as circunstâncias do caso.
Nesta terça-feira (28), parentes das pessoas mortas foram recebidos por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), com apoio da ouvidoria itinerante do Ministério Público.
O atendimento ocorreu no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha e faz parte de uma estratégia de aproximação com as famílias e de coleta de informações.
Segundo o Ministério Público, a escolha de realizar o atendimento em uma região próxima aos complexos busca facilitar o acesso dos familiares e reduzir dificuldades de deslocamento até a sede da instituição. A iniciativa pretende ampliar a participação dos envolvidos no processo investigativo.
A escuta das famílias já vinha sendo realizada em fases anteriores e é considerada essencial para a investigação conduzida pelo Gaesp. O objetivo é reunir relatos que contribuam para a identificação das vítimas e para a reconstrução detalhada da dinâmica da operação policial.
A atuação do Ministério Público também segue as diretrizes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, que estabelece parâmetros para operações policiais com alto índice de letalidade, reforçando a necessidade de transparência e controle na apuração desses casos.
Desde o início das investigações, o Gaesp instaurou procedimento investigatório criminal, solicitou documentos às forças de segurança e realizou diligências técnicas, incluindo perícias complementares no Instituto Médico Legal.
Também estão sendo analisadas milhares de horas de imagens captadas por câmeras corporais de policiais envolvidos na operação.
Além da apuração, o Ministério Público expediu recomendações às autoridades de segurança do Rio de Janeiro para aprimorar protocolos de atuação em operações policiais, com foco na redução da letalidade e no aperfeiçoamento do uso de câmeras corporais.
Até o momento, as investigações já resultaram em denúncias contra policiais militares por supostas irregularidades, como invasões de domicílio, subtração de bens, constrangimento de moradores e interferência em equipamentos de gravação.
O processo segue em andamento, com análise de provas e depoimentos, enquanto o Ministério Público afirma manter o compromisso de esclarecer os fatos e acompanhar as famílias das vítimas ao longo de toda a apuração.
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