A região metropolitana do Rio de Janeiro atingiu em 2026 o pior índice dos últimos dez anos no número de pessoas baleadas em disputas entre grupos armados.
De acordo com levantamento do Instituto Fogo Cruzado, entre 1º de janeiro e 27 de abril, já foram registradas 100 vítimas, sendo 58 mortos e 42 feridos.
O número representa um crescimento de 150% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 40 pessoas foram baleadas em confrontos armados. Na prática, o cenário atual equivale a quase seis vítimas por semana apenas nos primeiros quatro meses do ano.
Os dados reforçam a escalada da violência no Grande Rio, especialmente em áreas marcadas por disputas territoriais entre facções criminosas e grupos paramilitares.
Comparativo dos últimos anos
Confira o número de baleados em disputas armadas entre 1º de janeiro e 27 de abril de cada ano:
- 2026: 100 baleados (58 mortos e 42 feridos)
- 2025: 40 baleados (29 mortos e 11 feridos)
- 2024: 50 baleados (29 mortos e 21 feridos)
- 2023: 51 baleados (35 mortos e 16 feridos)
- 2022: 36 baleados (19 mortos e 17 feridos)
- 2021: 33 baleados (17 mortos e 16 feridos)
- 2020: 18 baleados (9 mortos e 9 feridos)
- 2019: 29 baleados (10 mortos e 19 feridos)
- 2018: 28 baleados (14 mortos e 14 feridos)
- 2017: 35 baleados (11 mortos e 24 feridos)
Feriadão violento
Somente entre os dias 23 e 26 de abril, ao menos 15 pessoas foram baleadas em episódios ligados a disputas entre grupos armados. Cinco morreram e outras dez ficaram feridas.
Entre os casos registrados no período estão:
- Nova Iguaçu: três homens foram mortos em um ataque a tiros em um bar no bairro Austin. Criminosos encapuzados desceram de um carro e dispararam diversas vezes contra o estabelecimento. O dono do bar estava entre as vítimas.
- Irajá: um homem morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas durante uma festa em homenagem a São Jorge, na comunidade Para Pedro. Os tiros foram efetuados por dois homens em uma motocicleta.
- Vicente de Carvalho: um homem morreu e duas pessoas ficaram feridas em mais um ataque a tiros.
- Taquara: um homem e uma mulher foram baleados durante confronto entre grupos armados na região da Colônia, em Jacarepaguá.
- Jardim América: duas pessoas ficaram feridas em um tiroteio que também impactou a circulação dos trens da SuperVia no ramal Saracuruna.
Impacto na rotina
Além das mortes e feridos, os confrontos armados seguem afetando diretamente a mobilidade urbana, o comércio local e a rotina de moradores da capital e da Baixada Fluminense. Suspensão de aulas, interrupção de transportes e fechamento de vias continuam entre os reflexos frequentes da violência.
Especialistas em segurança pública apontam que o avanço das disputas territoriais exige resposta integrada entre inteligência policial, ocupação permanente de áreas críticas e políticas públicas voltadas à prevenção.
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