A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a refletir diretamente no bolso dos brasileiros. O aumento no preço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelas tensões na região e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, tem pressionado os valores dos combustíveis e acende um alerta para a inflação.
Nesta quinta-feira (19), o barril do petróleo chegou a US$ 115, quase o dobro do valor registrado no fim de 2025. Esse avanço já tem efeito direto no Brasil. Em apenas uma semana, o preço médio do diesel subiu mais de 11%, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O diesel é peça-chave na economia brasileira, já que movimenta grande parte da logística de transporte. Quando seu preço sobe, o impacto se espalha rapidamente, afetando desde o custo do frete até o valor final de alimentos, produtos industrializados e serviços.
Efeito em cadeia na economia
Especialistas apontam que os reflexos na inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas, dependendo da duração e da intensidade do conflito. O aumento do diesel tende a provocar um efeito em cadeia, com impactos indiretos ao longo de meses.
Além dos combustíveis, o petróleo influencia diretamente diversos setores. Ele é matéria-prima para itens como plásticos, fertilizantes, medicamentos e combustíveis como gasolina, gás de cozinha e querosene de aviação. Isso eleva os custos de produção tanto na indústria quanto no agronegócio.
No campo, o impacto é duplo: além do aumento no custo de máquinas movidas a diesel, há também a elevação nos preços de fertilizantes, muitos deles importados. Já na indústria, a dependência de insumos cotados em dólar amplia ainda mais a pressão sobre os custos.
Dólar mais caro agrava cenário
Outro fator que contribui para o aumento de preços é a valorização do dólar. Em momentos de instabilidade global, investidores tendem a migrar para ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. Com isso, a cotação sobe — recentemente alcançando cerca de R$ 5,26.
Um dólar mais alto encarece tanto produtos importados quanto itens produzidos no Brasil que têm seus preços atrelados ao mercado internacional. Esse movimento eleva os custos das empresas, que acabam repassando parte desses aumentos ao consumidor.
Impacto nos juros e na economia
A pressão inflacionária também influencia as decisões do Banco Central. Embora tenha reduzido recentemente a taxa básica de juros, o cenário de incerteza provocado pelo conflito no Oriente Médio levou a autoridade monetária a adotar uma postura mais cautelosa.
A guerra afeta cadeias globais de suprimentos e o preço das commodities, o que dificulta previsões mais estáveis para a inflação. Diante disso, o Banco Central tende a monitorar de perto os desdobramentos antes de definir novos cortes na taxa de juros.
Juros mais altos ou mantidos por mais tempo impactam diretamente o consumo, já que encarecem crédito, financiamentos e empréstimos, desacelerando a economia como forma de conter a inflação.
Cenário ainda indefinido
Apesar dos impactos negativos, o aumento do preço do petróleo pode ter um efeito positivo pontual para o Brasil, que é exportador da commodity. Ainda assim, o cenário geral é de incerteza.
Enquanto o conflito persistir e houver risco para o fluxo global de petróleo, a tendência é de manutenção dos preços elevados, com reflexos diretos no custo de vida da população.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











