A trajetória do folclorista e etnógrafo Edison Carneiro passou a ser celebrada com um mural inaugurado nesta sexta-feira (13) no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), localizado no bairro do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro.
A obra foi criada pelo projeto Negro Muro e instalada no terraço do espaço que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro.
Na pintura, o pesquisador baiano — apelidado de “intelectual feiticeiro” pelo escritor Jorge Amado — aparece vestido com terno branco e caminhando com livros pelas ruas de Salvador, cidade onde nasceu. A obra também apresenta uma representação simbólica de Carneiro como Exu, figura associada à comunicação e à ligação entre diferentes mundos.
O mural reúne ainda diversos elementos da cultura popular pesquisada por Carneiro, como um boi de barro, capoeiristas e referências ao samba, manifestações que fizeram parte de seus estudos.
Ao redor da imagem principal aparecem símbolos religiosos, oferendas, figuras mitológicas e a representação de uma mãe de santo com ervas nas mãos, além de uma pequena imagem de Exu semelhante à que o intelectual mantinha em sua estante.
Autor de obras importantes como A Carta do Samba, publicada em 1962, e Quilombo dos Palmares, de 1947, Edison Carneiro se destacou por suas pesquisas sobre folclore, cultura popular, relações étnico-raciais e religiões de matriz africana.
Em um período marcado por forte preconceito contra essas tradições, o pesquisador atuou na defesa da liberdade religiosa e aproximou pesquisadores de lideranças de terreiros.
Para desenvolver a obra, a equipe do projeto Negro Muro contou com o apoio do Museu do Folclore, instituição que o próprio Carneiro dirigiu entre 1960 e 1964.
O pesquisador Pedro Rajão, integrante do projeto, explicou que o mural foi construído a partir de pesquisas e diálogos com especialistas da instituição, buscando representar a trajetória do homenageado e sua relação com o espaço.
A pintura marca a 77ª intervenção do projeto Negro Muro — número que, segundo os idealizadores da iniciativa, possui simbolismo no candomblé por estar associado ao orixá Exu.
Durante a cerimônia de inauguração também foi anunciado um acordo para ampliar o Museu do Folclore Edison Carneiro. A iniciativa será realizada por meio de parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
A nova unidade deverá ser construída nos jardins do Museu da República, em um terreno vizinho ao atual museu.
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