O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, criticou o endurecimento das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e afirmou que as medidas têm agravado a crise energética e social enfrentada pela ilha caribenha. A declaração foi feita durante entrevista concedida à Agência Brasil, na sede da embaixada cubana, em Brasília.
Segundo o diplomata, o embargo econômico norte-americano, iniciado após a Revolução Cubana de 1959, atravessa mais de seis décadas e continua sendo ampliado por sucessivos governos dos Estados Unidos. Para ele, as restrições mais recentes atingem diretamente a capacidade do país de importar petróleo, elemento considerado essencial para o funcionamento da economia.
No fim de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que voltou a classificar Cuba como uma ameaça à segurança nacional americana. A medida estabelece tarifas comerciais e possíveis punições a países e empresas que comercializem petróleo com Havana, ampliando o isolamento econômico da ilha.
De acordo com Curbelo, a limitação no acesso a combustíveis compromete a geração de eletricidade, o transporte público, o funcionamento hospitalar e a produção de alimentos. Ele afirmou que a economia cubana depende fortemente da energia para manter serviços essenciais e atividades produtivas em operação.
Diante da escassez energética, o governo cubano adotou medidas de austeridade para reduzir o consumo e priorizar setores considerados estratégicos. Entre as ações estão a reorganização das jornadas de trabalho, incentivo ao trabalho remoto e garantia de fornecimento elétrico para hospitais, escolas e residências com pacientes que necessitam de equipamentos médicos.
O embaixador destacou ainda que o país busca alternativas para diminuir a dependência do petróleo importado. Nos últimos anos, Cuba ampliou investimentos em energia solar, aumentando a participação da geração fotovoltaica na matriz energética nacional. Apesar dos avanços, ele reconheceu que o país ainda enfrenta déficit significativo na produção de eletricidade devido à falta de combustível e à infraestrutura energética envelhecida.
Outro setor fortemente impactado, segundo o diplomata, é o turismo, uma das principais fontes de entrada de divisas estrangeiras. A redução no fornecimento de combustível tem dificultado operações aeroportuárias e contribuído para a diminuição de voos internacionais, afetando a chegada de visitantes e a arrecadação de recursos.
Curbelo afirmou que Cuba enfrenta uma forma de pressão econômica que vai além das sanções tradicionais, envolvendo também obstáculos financeiros e comerciais que dificultam negociações com empresas e transportadoras internacionais.
Sobre a reação externa, o representante cubano afirmou que diversos países manifestaram oposição às novas medidas dos Estados Unidos. Nações do Movimento dos Não Alinhados, além de parceiros como China, Rússia e México, teriam demonstrado apoio político e enviado ajuda humanitária para amenizar os impactos da crise.
O diplomata reiterou que o governo cubano mantém disposição para o diálogo com Washington, desde que sejam respeitadas a soberania e a independência do país. Ele afirmou que Cuba continuará investindo em cooperação internacional e em alternativas energéticas para enfrentar os desafios econômicos atuais.
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