As ações do GPA (Grupo Pão de Açúcar), controlador da tradicional rede de supermercados, registraram forte queda nesta quinta-feira (19) na B3. Os papéis chegaram a recuar 12,5% ao longo do pregão, atingindo a mínima de R$ 2,94. Apesar de uma leve recuperação no fim do dia, encerraram a sessão com baixa de 9,82%, cotados a R$ 3,03.
No acumulado de 2026, a desvalorização já chega a cerca de 12%, segundo dados de mercado. O movimento ocorre às vésperas da divulgação do balanço financeiro da companhia, prevista para a próxima terça-feira (24), o que aumentou a cautela entre investidores.
Analistas apontam que parte da pressão decorre de uma redução de posições por parte de investidores que preferem diminuir exposição antes da apresentação dos resultados. Entre as preocupações estão o nível de endividamento considerado elevado, a capacidade de geração de caixa e o andamento do processo de reestruturação da empresa, ainda visto com incertezas pelo mercado.
No fim de 2025, o GPA anunciou um plano para reduzir custos, despesas e investimentos ao longo de 2026, com expectativa de cortar desembolsos para um intervalo entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões. No terceiro trimestre do ano passado, a companhia concluiu a segunda fase de simplificação administrativa, que resultou na demissão de aproximadamente 700 funcionários.
O cenário do setor também contribui para o ambiente de desconfiança. Após a divulgação do resultado do Assaí, que reportou lucro líquido ajustado de R$ 347 milhões no quarto trimestre de 2025 — queda de 26,8% em relação ao mesmo período de 2024 — o mercado passou a rever projeções para o segmento alimentar como um todo, diante da expectativa de desaceleração do consumo.
Especialistas destacam ainda que o desempenho das vendas abaixo da inflação e a pressão sobre margens reforçam o ceticismo em relação ao próximo balanço do GPA. Há, também, rumores de que um acionista minoritário teria vendido parte ou a totalidade de sua participação na companhia. Como se trata de um ativo com menor liquidez na Bolsa, movimentos relevantes de venda tendem a impactar de forma mais intensa o preço das ações.
Apesar das especulações, até o momento não há fato novo relevante divulgado pela empresa que justifique a oscilação, além da dinâmica de oferta e demanda e da expectativa pelo resultado financeiro.
O GPA foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
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