O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí transformou a avenida em palco de exaltação política, simbolismos históricos e fortes reações nas redes sociais. A escola apresentou um enredo dedicado à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, combinando homenagem, crítica social e sátiras a figuras da política brasileira recente.
Um dos momentos que mais repercutiram ocorreu na comissão de frente. Um ator caracterizado como o ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu com figurino de palhaço e, em seguida, foi retratado atrás de grades, em uma encenação que rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e provocou manifestações de aliados do ex-mandatário.
Além das referências a Bolsonaro, o desfile trouxe menções a episódios e personagens da política nacional, reforçando o tom crítico adotado pela escola ao longo da apresentação. A proposta artística dividiu opiniões entre elogios à liberdade criativa do Carnaval e acusações de uso político da festa popular.
Lula acompanhou o desfile de um camarote institucional ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e de ministros do governo federal. Em determinado momento, o presidente desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola, gesto que ampliou a visibilidade do evento.
Lula celebrou a emoção da noite na Sapucaí ao ver Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira brilharem na mesma avenida. Criatividade, talento e a força cultural do Carnaval do Rio em um espetáculo inesquecível. 🎭🇧🇷🥁#Lula, #Sapucaí, #CarnavalRJ, #Carnaval2026, #Samba pic.twitter.com/bSIPs3aBkw
— PortalVIU! (@Portal_VIU) February 16, 2026
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, também esteve presente na Sapucaí, mas não participou do desfile. Sua presença foi registrada ao lado de autoridades e convidados durante a apresentação.
A repercussão política foi imediata. Lideranças da oposição criticaram a homenagem e questionaram possível utilização de recursos públicos e caráter eleitoral da apresentação. Parlamentares e figuras públicas ligadas ao bolsonarismo classificaram o desfile como propaganda antecipada, enquanto aliados do governo defenderam a manifestação como expressão cultural e artística protegida pela liberdade de criação.
O episódio reacende um debate recorrente no país: os limites entre arte, política e financiamento público em eventos culturais de grande visibilidade. No Carnaval brasileiro, onde história, crítica social e espetáculo caminham juntos há décadas, a discussão parece longe de terminar.
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