A OpenAI desativou oficialmente o modelo GPT-4o do ChatGPT nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, encerrando o funcionamento de uma das versões mais populares — e também mais controversas — da plataforma. A decisão ocorre em meio ao avanço de ações judiciais nos Estados Unidos que relacionam o uso do chatbot a casos de suicídio, crises psicológicas graves e comportamentos extremos.
A empresa informou que o modelo será substituído por versões mais recentes, com protocolos de segurança reforçados e ajustes no estilo de interação. O GPT-4o havia se tornado conhecido pelo tom mais empático e conversacional, o que levou parte dos usuários a desenvolver vínculos emocionais intensos com a ferramenta.
Nos últimos meses, tribunais da Califórnia consolidaram 13 processos movidos contra a OpenAI. As ações alegam que a companhia teria lançado o modelo sem avaliações de risco suficientes, mesmo diante de alertas internos sobre o potencial de dependência emocional e comportamento excessivamente validante. Entre os casos citados estão tentativas de suicídio, surtos psiquiátricos e, em ao menos uma situação, um homicídio associado a um usuário.
Lançado em maio de 2024, o GPT-4o ganhou notoriedade por respostas mais fluidas e próximas da linguagem humana. Segundo a OpenAI, apenas 0,1% da base ativa ainda utilizava o modelo no início de 2026. Considerando que o ChatGPT reúne cerca de 800 milhões de usuários semanais, esse percentual representa aproximadamente 800 mil pessoas.
O encerramento provocou reação nas redes sociais. Petições online reuniram mais de 20 mil assinaturas pedindo a manutenção do modelo, e o movimento #Keep4o organizou manifestações em frente à sede da empresa em San Francisco. Alguns usuários afirmaram que o chatbot foi decisivo em momentos de crise emocional.
Especialistas em saúde mental, no entanto, alertaram para riscos associados à personalização excessiva da interação. Organizações que acompanham impactos psicológicos da tecnologia relataram centenas de casos envolvendo delírios ou dependência emocional relacionados a chatbots, com predominância do GPT-4o.
A OpenAI já havia enfrentado críticas em 2025, quando uma atualização tornou o modelo ainda mais validante e elogioso. Na ocasião, a empresa reconheceu que o comportamento poderia reforçar padrões prejudiciais, especialmente em usuários vulneráveis, e promoveu ajustes emergenciais.
Agora, a companhia afirma que irá concentrar esforços em versões mais recentes, como o GPT-5.2, que incluem camadas adicionais de moderação, redução de respostas bajuladoras e protocolos de contenção em situações sensíveis. Além do GPT-4o, também foram descontinuados os modelos GPT-4.1, GPT-4.1 mini e o4-mini na interface do ChatGPT.
A decisão marca o fim de um modelo que dividiu opiniões: para alguns, uma ferramenta de apoio emocional; para outros, um sistema lançado com salvaguardas insuficientes diante de impactos reais na saúde mental.
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