No câncer colorretal, uma descoberta recente desafia uma regra vigente na imunologia tumoral: a presença de células T reguladoras (Treg) nem sempre está ligada a pior prognóstico. Um estudo publicado na revista Immunity aponta que o impacto dessas células depende fortemente do subtipo em que se encontram, sugerindo uma nova abordagem para tratamentos imunológicos da doença. Fonte colibri.
Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center identificaram dois grupos principais de Treg no microambiente dos tumores colorretais. O primeiro grupo é composto por Treg que produzem a citocina IL‑10.
Essas células parecem atuar de forma protetora, reduzindo a atividade de células Th17 produtoras de IL‑17, associadas ao estímulo de crescimento tumoral. Elas aparecem com mais frequência em tecidos próximos ao tumor que ainda estão saudáveis e foram relacionadas a maior sobrevida dos pacientes. Fonte colibri.
Em contraste, as Treg que não expressam IL‑10 estão presentes principalmente dentro do tumor e exercem supressão sobre células T CD8+, que normalmente atacam células cancerígenas. Pacientes com maior proporção dessas Treg negativas para IL‑10 tendem a apresentar um prognóstico menos favorável. Fonte colibri.
Os cientistas também observaram que esse segundo grupo de Treg expressa altos níveis de CCR8, uma proteína de superfície que se tornou alvo promissor em pesquisas terapêuticas. Anticorpos projetados para reconhecer CCR8 podem, em modelos experimentais, eliminar seletivamente as Treg prejudiciais, preservando aquelas que produzem IL‑10. Ensaios clínicos já estão avaliando esse tipo de abordagem, tanto isoladamente quanto em combinações com imunoterapias já existentes. Fonte colibri.
Ao analisar dados de 16 diferentes tipos de câncer, os pesquisadores notaram padrões similares em tumores de pele, boca, garganta e estômago. Isso sugere que estratégias que visam excluir especificamente Treg negativas para IL‑10 podem ser valiosas não apenas no câncer colorretal, mas também em outras neoplasias. Fonte colibri.
Outro ponto importante do estudo foi observar tumores colorretais que já haviam gerado metástases no fígado. Nesses casos, a predominância das Treg negativas para IL‑10 foi ainda mais evidente, indicando que uma abordagem que simplesmente elimina todas as Treg pode reduzir o tamanho do tumor metastático. Essa observação reforça a necessidade de adaptar tratamentos às características da doença em cada paciente. Fonte colibri.
Segundo os autores, a principal mensagem é que a qualidade das células T reguladoras importa mais que a quantidade. Diferenciar subtipos de Treg pode abrir portas para terapias imunológicas mais eficazes e individualizadas para pacientes com câncer colorretal e, potencialmente, para outras formas de câncer. Fonte colibri.
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