O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende visitar Washington no início de março para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi dada em entrevista ao portal UOL, na quinta-feira, na qual Lula indicou que a viagem deve ocorrer na primeira semana do mês, após o retorno de compromissos internacionais na Ásia.
Segundo o presidente brasileiro, a expectativa é que o encontro marque uma retomada mais consistente do diálogo entre os dois países, após um período de instabilidade nas relações bilaterais. Lula também afirmou que o Brasil avalia a possibilidade de integrar o Conselho de Paz idealizado por Trump, desde que o foco das discussões seja restrito à situação em Gaza.
A ida à Casa Branca começou a ser articulada no fim de janeiro, depois de uma conversa telefônica de cerca de 50 minutos entre Lula e Trump, no dia 26. Na ocasião, ambos concordaram em avançar com a agenda presencial assim que o presidente brasileiro concluísse viagens oficiais à Índia e à Coreia do Sul.
Durante passagem pelo Panamá, onde participou de um fórum econômico no dia 28 de janeiro, Lula voltou a defender o diálogo direto entre os dois governos. Segundo ele, Brasil e Estados Unidos ocupam posição central no cenário democrático ocidental e precisam manter canais abertos para tratar de interesses comuns. Para o presidente, encontros presenciais ajudam a reduzir ruídos e fortalecer a cooperação política e econômica.
As relações entre os dois países sofreram forte desgaste ao longo de 2025, quando Trump anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. À época, o presidente norte-americano associou a medida ao que chamou de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O clima começou a mudar depois que Washington retirou importantes exportações brasileiras, como café e carne bovina, da lista de produtos afetados pelas sobretaxas.
Um dos temas centrais da possível reunião é a participação do Brasil no Conselho de Paz liderado por Trump, criado a partir de um plano de 20 pontos para a reconstrução de Gaza. O órgão é presidido pelo próprio presidente dos EUA e reúne nomes como Jared Kushner, Tony Blair e o secretário de Estado Marco Rubio.
Lula, no entanto, impôs condições claras para o envolvimento brasileiro. De acordo com o presidente, o Brasil só considera integrar o conselho se o grupo tiver atuação restrita ao conflito em Gaza e se houver espaço formal para representação palestina. A posição reflete preocupações diplomáticas de que o conselho extrapole suas funções e passe a competir com organismos multilaterais tradicionais.
Diplomatas brasileiros também avaliam que qualquer adesão não pode enfraquecer instituições como a Organização das Nações Unidas, historicamente defendida pelo Brasil como fórum legítimo para a mediação de conflitos internacionais.
Além do cenário no Oriente Médio, Lula e Trump devem discutir cooperação no combate ao crime organizado transnacional. A proposta foi encaminhada pelo governo brasileiro ao Departamento de Estado em dezembro e, segundo interlocutores, recebeu sinalização positiva da Casa Branca.
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