Em 2025, os transtornos de ansiedade, depressão e crises de pânico se tornaram a principal causa de afastamento temporário de trabalhadores no Estado do Rio de Janeiro.
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, dos 285.510 benefícios concedidos por incapacidade temporária, 16.676 foram motivados por esses transtornos, classificados na CID como F41.
Em seguida aparecem dorsalgias (dores nas costas), com 15.236 concessões; problemas de disco intervertebral, com 13.356; fraturas de perna, incluindo tornozelo, com 12.738; e episódios depressivos, com 10.312 registros.
Entre 2021 e 2025, é a primeira vez que os transtornos ansiosos lideram o ranking de afastamentos temporários no Rio de Janeiro.
Para o psiquiatra Ervin Cotrik, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), os números refletem as pressões e desafios enfrentados pela sociedade nos últimos anos.
Entre os trabalhadores afetados está um motorista de ônibus, que ficou afastado por quase um ano devido à rotina intensa, cobrança constante e medo da violência no trânsito.
“É uma rotina bem puxada. No Rio, o trânsito é caótico. Já houve assalto dentro do ônibus, além de invasões frequentes. Na frente da Central do Brasil, ninguém entra pela frente; eles esperam para atacar por trás. Se você não parar, jogam pedras, ameaçam e querem agredir”, relatou o profissional, que recebeu diagnóstico severo de ansiedade e depressão.
Especialistas explicam que os transtornos ansiosos podem surgir por diversos fatores, como traumas, estresse prolongado, insegurança financeira e privação de sono. Cotrik detalha: “Além da irritabilidade típica da ansiedade, há anedonia, que é a perda de prazer nas atividades, e uma tristeza sem causa aparente que compromete a vida funcional da pessoa”.
O Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, reforça a importância do cuidado com o bem-estar psicológico e da busca por atendimento especializado. Para especialistas, é essencial combater o estigma ligado a essas doenças.
“O preconceito mata. Precisamos unir esforços da sociedade e de todos os setores para identificar sintomas precoces e tratar mais cedo. Muitas pessoas não querem se afastar, por medo de punição ou ridicularização”, alerta Cotrik. Segundo ele, oferecer apoio e orientação profissional pode evitar o agravamento de quadros de adoecimento mental e até salvar vidas.
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