A Justiça do Reino Unido rejeitou o pedido de um grupo de ex-funcionários da Rockstar Games para manter os salários enquanto tramita a ação que contesta as demissões ocorridas no final de 2025.
Mais de 30 profissionais dos estúdios da empresa no Reino Unido e no Canadá alegam que foram desligados por tentar organizar um sindicato, enquanto a desenvolvedora afirma que os desligamentos ocorreram devido a “má conduta grave”, relacionada ao compartilhamento de informações confidenciais fora da companhia.
A decisão foi proferida pela juíza Frances Eccles durante uma audiência preliminar envolvendo o sindicato IWGB. Segundo o tribunal, os ex-funcionários não apresentaram provas suficientes para justificar a concessão de uma medida cautelar que mantivesse os pagamentos enquanto o processo segue em análise.
Durante a audiência, a magistrada destacou que os trabalhadores precisariam demonstrar uma chance razoável de sucesso ao comprovar que as demissões ocorreram por atividades sindicais, algo que até o momento não foi evidenciado.
Eccles também observou que alguns funcionários tiveram participação limitada em um canal de Discord citado no processo, mas todos fizeram comentários que, segundo a Rockstar, violariam contratos de confidencialidade. Além disso, outros colaboradores que apoiaram o sindicato não foram demitidos, reforçando a versão da empresa de que a sindicalização não motivou os desligamentos.
A Rockstar afirmou que os desligamentos ocorreram porque funcionários compartilharam dados “altamente confidenciais” em um canal público, incluindo informações sobre jogos não anunciados, cronogramas de produção e protocolos de segurança de TI.
A empresa destacou que o grupo incluía membros de estúdios concorrentes, jornalistas da indústria de videogames e outros participantes não identificados, aumentando o risco de vazamentos. Mensagens de apoio a sindicatos não teriam motivado as demissões, segundo a companhia.
Em nota, a Rockstar disse: “O Tribunal do Trabalho de Glasgow rejeitou o pedido de tutela provisória do sindicato. Acolhemos a decisão, que está em consonância com a posição da Rockstar desde o início. Lamentamos ter sido colocados numa situação em que as demissões se tornaram necessárias, mas a linha de ação foi mantida e respaldada pelo resultado desta audiência”.
O sindicato IWGB, por sua vez, sustenta que as demissões fazem parte de uma estratégia para enfraquecer o movimento sindical dentro da empresa.
O presidente Alex Marshall classificou as ações da Rockstar como vitimização e inclusão em listas negras, afirmando que o número limitado de desligamentos teria sido calculado para desarticular o movimento sem comprometer o desenvolvimento dos jogos em produção.
O caso seguirá para julgamento completo, e os ex-funcionários permanecerão sem receber salários até que a Justiça analise o mérito da ação.
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