O Brasil reconheceu oficialmente a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como presidente interina do país após a captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas. A informação foi confirmada neste sábado (3) pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, após reunião com integrantes do governo federal.
Segundo o Itamaraty, o reconhecimento segue o entendimento de que, diante da ausência forçada do presidente eleito, cabe à vice assumir a chefia do Executivo venezuelano de forma provisória. A decisão brasileira ocorre em meio a uma grave crise diplomática na América Latina, desencadeada pela ofensiva militar norte-americana considerada inédita no território venezuelano.
Até o momento, o Brasil é o único país que confirmou publicamente o reconhecimento formal de Delcy Rodríguez como presidente interina. Outros governos da região e do cenário internacional adotaram cautela e ainda não anunciaram posicionamento oficial sobre quem deve exercer o comando do país.
Os Estados Unidos, responsáveis pela operação que resultou na captura de Maduro, afirmaram que irão administrar temporariamente a Venezuela até que seja organizada uma transição política, sem anunciar reconhecimento diplomático formal de um novo governo. A posição norte-americana é vista por analistas como ambígua e tem sido alvo de críticas de países que defendem o respeito à soberania venezuelana.
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) deve se reunir neste domingo (4) para discutir uma posição conjunta sobre o ataque dos EUA e a situação institucional da Venezuela. A expectativa é de que o encontro ajude a definir se outros países da região seguirão o posicionamento adotado pelo Brasil ou manterão uma postura de espera.
Enquanto isso, Delcy Rodríguez declarou que Nicolás Maduro continua sendo o presidente legítimo da Venezuela e exigiu provas de vida do líder venezuelano e de sua esposa, rejeitando qualquer subordinação ao governo dos Estados Unidos. A declaração reforça o clima de incerteza política e institucional no país.
O governo brasileiro afirma que acompanha os desdobramentos com atenção, especialmente por causa da extensa fronteira entre Brasil e Venezuela e dos possíveis impactos humanitários, diplomáticos e de segurança regional.
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