A Polícia Civil do Rio de Janeiro deu continuidade à Operação Contenção nesta terça-feira (16), com uma nova fase voltada ao combate ao esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado. A ação inclui bloqueio judicial de aproximadamente R$ 600 milhões, cumprimento de mandados de busca, apreensão de bens e bloqueio de contas bancárias vinculadas ao grupo, abrangendo os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso, e atingindo pessoas físicas, empresas e patrimônios usados para movimentar recursos ilícitos.
Segundo a Polícia Civil, o Comando Vermelho mantinha uma estrutura organizada para transferir dinheiro ilegal pelo sistema financeiro formal, utilizado na compra de armas, drogas, imóveis e veículos, além de manter controle sobre territórios. As investigações apontam Edgar Alves de Andrade, o Doca, e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, como líderes do esquema, com apoio de terceiros e empresas de fachada. Movimentações financeiras acima da renda declarada, com contas funcionando como cofres da facção, foram identificadas e bloqueadas judicialmente.
O esquema também envolvia depósitos em dinheiro vivo, feitos em pequenas quantias em diferentes bancos no mesmo dia, dificultando o rastreamento da origem dos recursos. Parte do dinheiro era centralizada em Pontes e Lacerda, Mato Grosso, escolhida por estar distante das áreas de maior visibilidade do tráfico. Além do bloqueio de contas, a Justiça determinou o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e uma propriedade rural no estado. A investigação prossegue com análise de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais apreendidos.
A Operação Contenção, que recebe apoio das polícias civis de Minas Gerais e Mato Grosso, visa enfraquecer o Comando Vermelho. Desde o início da ofensiva, mais de 250 pessoas foram presas, 136 morreram em confrontos, e centenas de armas e munições foram retiradas de circulação. A primeira fase, realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, registrou 122 mortes, incluindo cinco policiais, e resultou em 113 prisões. Edgar Alves de Andrade, principal alvo, permanece foragido e é considerado chefe da facção.
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