A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se prepara para uma semana intensa, com uma extensa pauta de votações e cenário político ainda sensível após a prisão e liberação do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União). Detido em 3 de dezembro e liberado no dia 9 com medidas cautelares, Bacellar permanece afastado da presidência, e as sessões desta última semana antes do recesso serão conduzidas pelo vice-presidente, deputado Guilherme Delaroli (PL).
Nos dias 16 e 17 de dezembro, a Alerj terá na pauta mais de 450 projetos, incluindo propostas de grande impacto, como a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas Estaduais (Propag), que visa aliviar os débitos do Rio com a União, e a análise do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A votação da LOA ainda depende do exame de mais de 2.500 emendas, tarefa que ficará a cargo da Comissão de Orçamento na terça-feira.
A agenda também prevê a aprovação de mais de 400 projetos de homenagens, resultado de um acordo fechado durante a gestão de Bacellar, garantindo que deputados de diferentes partidos possam ter suas indicações aprovadas e entregues ao longo de 2026, ano eleitoral. Na terça-feira, líderes partidários se reunirão às 13h na presidência da Alerj para definir estratégias antes da sessão plenária marcada para as 15h. Na quarta-feira, além das homenagens, a Casa analisará 24 vetos do governador e as prestações de contas do governador Cláudio Castro referentes a 2022 e 2023.
Bacellar foi preso sob suspeita de vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, que resultou na detenção do ex-deputado TH Joias, investigado por supostas ligações com o Comando Vermelho. Após votação que revogou a prisão — com 42 votos a favor, 21 contra e 2 abstenções —, o STF determinou medidas cautelares, incluindo afastamento da presidência da Alerj, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e integral nos finais de semana, proibição de contato com outros investigados, entrega de passaportes e suspensão do porte de armas.
O retorno das votações ocorre em meio a um cenário político delicado, marcado por acusações de obstrução de pautas entre aliados e opositores de Bacellar nas últimas sessões. A expectativa é que a semana permita à Alerj avançar em projetos estratégicos, concluir processos pendentes e organizar a entrega das homenagens, conciliando interesses políticos e legislação essencial antes do início do recesso parlamentar.
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