O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (10/12), manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, alinhando-se às expectativas do mercado financeiro. A decisão, tomada de forma unânime, marca a quarta reunião seguida sem alterações, após um ciclo de sete aumentos consecutivos que levou a Selic ao maior nível desde 2006.
A política monetária mais dura teve início em setembro do ano passado, quando o BC interrompeu a trajetória de cortes e iniciou um período de aperto, elevando a taxa de 10,50% para 10,75% ao ano. Desde então, a autoridade monetária tem insistido na necessidade de manter os juros em nível contracionista diante da inflação resistente e das expectativas desancoradas.
Copom mantém tom firme e não prevê cortes no curto prazo
No comunicado divulgado após a reunião, o BC frustrou parte do mercado ao não antecipar qualquer possibilidade de alívio nos juros no início de 2026. O colegiado afirmou que os juros deverão permanecer altos por “período bastante prolongado”, reafirmando a estratégia de combater pressões inflacionárias persistentes.
“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, diz o comunicado.
O BC também reiterou que não hesitará em voltar a elevar a Selic, caso considere necessário para assegurar a estabilidade de preços.
Atividade econômica desacelera, mas inflação segue acima da meta
O Copom avaliou que os indicadores domésticos caminham dentro do esperado, com o PIB mostrando moderação no ritmo de crescimento e o mercado de trabalho ainda demonstrando força. A inflação cheia e as medidas subjacentes, embora em desaceleração, continuam acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
No cenário internacional, o BC mantém a postura de cautela, acompanhando a imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos e os possíveis efeitos da política fiscal brasileira sobre os ativos financeiros. A decisão ocorre no mesmo dia em que o Federal Reserve (Fed) anunciou um corte de 0,25 ponto percentual nos juros norte-americanos.
Por que a Selic segue alta
A Selic é o principal instrumento de controle da inflação no Brasil. Ao manter os juros elevados, o BC busca reduzir o consumo e o volume de crédito, esfriando a economia e, consequentemente, pressionando os preços para baixo.
Analistas avaliam que a taxa dificilmente voltará a níveis abaixo de dois dígitos antes do fim do governo Lula e do mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC, que termina em 2028.
Expectativas do mercado
De acordo com o Boletim Focus, o mercado financeiro prevê:
- Selic de 15% ao fim de 2025
- 12,38% em 2026
- 10,50% em 2027
- 10% em 2028
As projeções confirmam que o mercado não acredita em juros abaixo de dois dígitos no médio prazo.
Próximas reuniões do Copom em 2026
- 27 e 28 de janeiro
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 de junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro
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