A corrida presidencial de 2026 ganhou novos contornos neste domingo (7) após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua pré-candidatura. Durante participação em culto evangélico em Brasília, ele afirmou que sua permanência na disputa não é definitiva e pode ser retirada mediante negociação de contrapartidas, possivelmente relacionadas à pauta de anistia para condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no episódio considerado trama golpista, incluindo diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
“Espero que a gente paute essa semana a anistia. Espero que os presidentes da Câmara e do Senado cumpram o que prometeram e deixem o voto no plenário ocorrer”, disse Flávio. Questionado se a pauta seria o “preço” para desistir da candidatura, ele afirmou: “Não é só isso não, mas está indo bem”.
O senador anunciou sua pré-candidatura na sexta-feira (5), afirmando que recebeu a missão do ex-presidente de representar o PL na disputa presidencial. Desde então, aliados e dirigentes do partido declararam apoio a Flávio, que destacou ainda que, caso mantenha a candidatura, pretende apresentar uma versão mais centrada e experiente de Bolsonaro ao eleitorado, com foco em pacificação política.
Entre os governadores aliados, as reações têm sido diversas. Alguns mantêm projetos eleitorais próprios, enquanto outros declararam apoio imediato. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não se pronunciou, enquanto Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, reafirmou sua pré-candidatura e disse que pretende “tirar o PT do poder e devolver o Brasil aos brasileiros”.
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, confirmou que seguirá na disputa, mencionando orientação de Jair Bolsonaro de que múltiplas candidaturas no primeiro turno podem fortalecer a direita no segundo turno. Eduardo Leite (PSD-RS) também manteve sua pré-candidatura, defendendo a desradicalização da polarização.
Entre os apoiadores de Flávio, Jorginho Mello (PL-SC) destacou a necessidade de união para impedir mais quatro anos de PT e elogiou o senador como um “homem equilibrado e capaz de unir a nossa direita”. Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, comemorou o anúncio e destacou a importância de Flávio para o direcionamento do partido, sem descartar concorrer ao Senado.
Outros governadores, como Ratinho Junior (PSD-PR), citado como possível candidato ao Planalto, optaram por não se pronunciar diretamente sobre a pré-candidatura de Flávio, limitando-se a comentários sobre a força dos quadros da centro-direita.
As declarações do senador e as negociações em torno da anistia a condenados pelo STF demonstram que as articulações políticas já começam a moldar estratégias e alianças para a disputa de 2026, com temas judiciais e eleitorais assumindo papel central no cenário político nacional.
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