Robôs caninos com cabeças hiper-realistas de Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg chamaram atenção na feira Zero 10, onde circularam tirando fotos e expelindo esses registros como NFTs, em uma performance que ironiza o poder dos bilionários da tecnologia e o frenesi do mercado digital.
As criaturas fazem parte da coleção Regular Animals, do artista digital Beeple, conhecido pelas críticas ácidas ao universo das big techs, da inteligência artificial e da criptoespeculação. As versões apresentadas também incluíam cabeças inspiradas nos artistas Pablo Picasso e Andy Warhol, reforçando o contraste entre a arte pop, a cultura contemporânea e o domínio das plataformas digitais.
Robôs produzindo e “expelindo” conteúdo
Durante o evento, os robôs percorriam o espaço registrando imagens dos visitantes. As fotos eram transformadas instantaneamente em NFTs e liberadas pelo equipamento de forma cênica, como se fossem “excrementos”.
An Art Basel installation featuring robot dogs with wax heads of Jeff Bezos, Elon Musk and Mark Zuckerberg went viral as it examined how tech leaders influence how we see the world. pic.twitter.com/759m7271nb
— The Associated Press (@AP) December 5, 2025
A estética grotesca é parte da crítica: segundo Beeple, a obra reflete o modo como bilionários que lideram gigantes de tecnologia “controlam os algoritmos que decidem o que vemos”, ao mesmo tempo em que transformam qualquer tipo de produção digital em mercadoria de alto valor.
O contraste entre a sofisticação tecnológica e a representação de um ato fisiológico cria uma metáfora direta sobre a saturação de conteúdos digitais despejados diariamente nas redes.
Arte, especulação e mercado
Cada cachorro‑robô foi vendido por US$ 100 mil, reforçando a provocação do artista ao mercado de criptoarte, marcado por picos de valorização, colapsos e obras milionárias. Beeple, que já vendeu um NFT por US$ 69 milhões em 2021, volta a explorar os excessos e contradições desse ambiente.
A escolha por Musk, Bezos e Zuckerberg — figuras que lideram empresas como Tesla, Amazon e Meta — simboliza o peso que suas decisões têm sobre:
- algoritmos de recomendação,
- publicidade direcionada,
- consumo digital,
- e tendências tecnológicas globais.
A performance sugere que o conteúdo produzido e distribuído por essas plataformas, embora envolto em high‑tech, é muitas vezes repetitivo, descartável ou guiado apenas pelo lucro.
A instalação dividiu o público da feira. Alguns visitantes elogiaram a crítica direta ao modelo de negócios das big techs e à transformação de experiências digitais em produtos especulativos. Outros viram a obra como uma provocação calculada que se aproveita do próprio mercado que critica.
Independentemente da interpretação, a apresentação cumpriu o objetivo de Beeple: gerar desconforto, debate e reflexão sobre tecnologia, poder e cultura digital em um momento de crescente influência da inteligência artificial e dos algoritmos sobre a vida cotidiana.
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