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Como a MP 1.106/2022 impulsionou a Zema Financeira e outras empresas do crédito

Medida provisória ampliou o alcance do consignado e abriu espaço para financeiras atuarem sobre o público do Auxílio Brasil.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
04/12/2025 - 15:22
em Economia
MP 1.106/2022 abriu crédito de alto risco social com vantagens para financeiras

Imagem de banco de fotos / Pixabay or similar.

A Medida Provisória 1.106/2022, editada no governo Jair Bolsonaro, alterou de forma decisiva o mercado de crédito consignado no país. O texto autorizou que beneficiários do Auxílio Brasil — hoje Bolsa Família — pudessem contratar empréstimos com desconto automático no valor recebido mensalmente.

Essa mudança abriu espaço para financeiras e bancos de médio porte avançarem sobre um público antes inacessível. Entre as instituições beneficiadas estava a Zema Financeira, ligada ao grupo empresarial da família do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que recebeu autorização antecipada do Banco Central para operar a nova modalidade.

A seguir, veja de que forma a medida ampliou a oferta de crédito e fortaleceu empresas do setor.

1. Entrada em um mercado de milhões de brasileiros

Com a vigência da MP, o consignado deixou de ser exclusivo de aposentados, pensionistas e servidores públicos. De imediato, mais de 20 milhões de famílias passaram a integrar o mercado potencial de empréstimos.

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Esse cenário representou:

  • acesso a um público massivo e até então fora do sistema de crédito tradicional,
  • possibilidade de crescimento acelerado da base de clientes,
  • expansão da presença de financeiras em regiões de baixa renda.

Para empresas autorizadas desde o início, como a Zema, a mudança criou uma vantagem competitiva expressiva.

2. Autorização inicial restrita do Banco Central

Apesar de liberar o produto, o governo permitiu que apenas um número reduzido de instituições iniciasse as operações imediatamente. A Zema Financeira estava entre as selecionadas.

A habilitação limitada resultou em:

  • baixa concorrência nos primeiros meses,
  • acesso exclusivo a um público recém-liberado,
  • facilidade para captar grande parte da demanda antes da entrada dos bancos tradicionais.

Esse tipo de vantagem regulatória costuma influenciar o equilíbrio de mercado por longos períodos.

3. Margem consignável elevada ampliou o lucro das instituições

A MP também estabeleceu que até 40% do benefício poderia ser comprometido com parcelas de empréstimos, percentual considerado alto para políticas sociais.

Para as financeiras, isso significou:

  • contratos de maior valor,
  • aumento do montante financiado por beneficiário,
  • rentabilidade ampliada ao longo da vigência do contrato.

Pan, BMG, Agibank, Zema Financeira e outras instituições de porte similar aproveitaram o cenário para ampliar rapidamente suas receitas.

4. Baixo risco operacional estimulou a concessão de crédito

Mesmo entre famílias vulneráveis, o consignado do Auxílio Brasil apresentava risco mínimo às instituições financeiras. Isso porque:

  • o desconto era realizado diretamente no benefício,
  • o pagamento do programa federal é contínuo,
  • havia uma garantia indireta do governo.

Assim, um segmento historicamente fora do radar do crédito passou a ser visto como altamente rentável e estável.

5. Salto nas carteiras de crédito das instituições

A liberação do consignado funcionou como um catalisador para financeiras de médio porte. Em poucos meses, muitas registraram:

  • crescimento expressivo no volume de empréstimos,
  • entrada de milhares de novos contratos,
  • elevação significativa das receitas com juros.

A Zema Financeira figurou entre as beneficiadas, aproveitando ao máximo a janela regulatória aberta pela MP.

6. Falta de regulação inicial permitiu práticas agressivas

A medida provisória entrou em vigor antes da edição de regras detalhadas pelo Ministério da Cidadania e pelo Banco Central. Esse vácuo regulatório contribuiu para:

  • cobrança de juros que ultrapassavam 70% ao ano,
  • uso intensivo de correspondentes bancários,
  • abordagens consideradas abusivas por órgãos de defesa do consumidor.

Na prática, quem já estava habilitado pôde consolidar posição no mercado antes que as regras fossem ajustadas e a fiscalização, reforçada.

7. Impacto direto para a Zema Financeira

A Zema Financeira, pertencente ao grupo que reúne empresas da família de Romeu Zema, foi uma das que entraram no mercado com vantagem. Com a autorização antecipada, obteve:

  • acesso imediato a um contingente gigantesco de potenciais clientes,
  • crescimento rápido na carteira de crédito,
  • aumento relevante de receita em curto período,
  • reforço na capilaridade da marca em Minas Gerais e outras regiões.

Mesmo com o afastamento formal de Zema da administração do grupo após assumir o governo mineiro, familiares seguem como acionistas, o que mantém a performance da financeira como peça importante no conglomerado.

A MP 1.106/2022 impulsionou diretamente a Zema Financeira e outras instituições ao:

  • abrir um mercado bilionário e inédito,
  • restringir a operação inicial a poucas empresas,
  • permitir margens amplas e risco reduzido,
  • estimular forte crescimento das carteiras de crédito,
  • operar temporariamente sem regulação detalhada.

Esses fatores levaram a CPMI que investiga irregularidades no setor a examinar possíveis desequilíbrios competitivos, eventuais favorecimentos e práticas abusivas na oferta de consignado a beneficiários de programas sociais.

Mesmo após as revisões regulatórias, o impacto da MP permanece evidente: ela alterou a dinâmica do setor e criou uma das maiores oportunidades para financeiras de médio porte nos últimos anos.

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Tags: #AuxilioBrasil#CPMI#CréditoConsignado#Economia#MercadoFinanceiro#MP1106#política#ZemaFinanceira
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