Em coletiva realizada nesta quarta-feira (29), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, maior cooperação com o governo federal no enfrentamento ao crime organizado. A declaração foi dada um dia após a Operação Contenção, que deixou ao menos 64 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio.
“Precisamos asfixiar o crime. Sem dinheiro, eles têm pouca capacidade de atuação”, disse o ministro. Haddad criticou o governo estadual por, segundo ele, não ter atuado de forma eficaz no combate ao contrabando de combustíveis — considerado uma das principais fontes de renda das organizações criminosas que dominam comunidades cariocas.
“O governo do Estado do Rio tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustível, que é como você irriga o crime organizado”, afirmou o ministro, em referência à necessidade de uma integração efetiva entre União, estados e municípios.
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A fala ocorre em meio a uma crescente tensão entre os governos federal e estadual. O Palácio Guanabara afirma que a Operação Contenção foi planejada com base em informações de inteligência e que houve pedido de apoio da União. Já integrantes do governo federal sustentam que a ação não foi comunicada previamente e destacam que o número elevado de mortes levanta questionamentos sobre a condução da operação.
Fernando Haddad defendeu ainda a aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta que busca reforçar a articulação entre as forças policiais em âmbito nacional e garantir maior transparência nas ações de combate ao crime. Segundo o ministro, medidas estruturais e financeiras são essenciais para cortar o fluxo de recursos das facções.
Enquanto o governo estadual alega autonomia na execução das operações, entidades de direitos humanos denunciam o alto número de vítimas e cobram uma investigação independente sobre possíveis abusos policiais. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública do Estado também acompanham o caso.
A Operação Contenção foi uma das mais letais já realizadas no Rio de Janeiro. Segundo balanço parcial, 64 pessoas morreram, entre suspeitos, moradores e agentes de segurança. Relatórios preliminares indicam que a ação envolveu mais de 2.500 policiais, com apoio de blindados e helicópteros.
As críticas de Haddad ampliam o debate sobre o modelo de segurança pública no estado e a necessidade de políticas integradas que combatam não apenas o crime armado, mas também suas fontes econômicas e logísticas.
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